A magistratura brasileira está de luto, diz desembargador

Na manhã deste sábado, o presidente da Associação Brasileira de Magistrados, desembargador Nelson Calandra, foi à delegacia de homicídios que investiga o assassinato da juíza Patrícia Acioli para acompanhar o caso ao lado da delegada Marta Rocha, chefe da polícia civil do Rio de Janeiro. Em declaração ao Jornal Hoje, o desembargador disse que "a magistratura brasileira está de luto", mas afirmou que "a morte da Patrícia não significa o fim de uma causa, significa que nós vamos intensificar a luta pelo combate a organizações criminosas".

Apesar dos esforços da polícia e das pistas recebidas por telefone, ainda não há suspeitos para o assassinato da juíza. A movimentação na delegacia de homicídios é grande na manhã deste sábado. Pelo menos 20 policiais estão na rua checando informações sobre o caso e o disque denúncia já recebeu 42 ligações sobre o crime.

Patrícia Acioli foi executada na noite de quinta-feira com 21 tiros. Ela chegava à sua casa em Niterói no momento em que dois homens em motos dispararam contra seu carro. De acordo com a Polícia Civil, 18 pessoas já foram ouvidas, entre parentes, amigos e colegas de trabalho da juíza. Companheiro de Patrícia, o policial militar Marcelo Poubel, prestou depoimento durante mais de seis horas na DH na sexta-feira.

Segundo informou na sexta-feira o delegado titular da Divisão de Homicídios, Felipe Ettore, responsável pela investigação do crime, a maioria dos tiros atingiu a juíza na cabeça. O delegado disse que o carro dela foi atingido por balas de pistola calibre 40, usadas pelas polícias Civil e Militar, e de calibre 45, de uso exclusivo das Forças Armadas.

Juíza estava em "lista negra" de criminosos 

A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto, na porta de sua residência em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros. Foram disparados pelo menos 15 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista.

Patrícia, 47 anos, foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo. Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha. Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública.