Pressão dos EUA por mais sanções à Síria não é negativa, diz ministro

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse hoje (12) que a pressão do governo dos Estados Unidos para a comunidade internacional intensificar as sanções à Síria não é negativa. Patriota lembrou que quaisquer sanções só podem ser aplicadas com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas e ressaltou que o Brasil reitera sua confiança na busca de uma solução pacífica para o fim do impasse na região.

“A pressão em si não é negativa, mas as sanções só podem ser aplicadas se autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas]”, disse Patriota, depois de almoço oferecido a 17 novos embaixadores estrangeiros que apresentaram suas credenciais ao governo brasileiro. “Mas estamos com uma expectativa positiva [em relação a um avanço pacífico] na Síria.”

Desde março, a Síria vive uma onda de protesto de manifestantes que reivindicam eleições parlamentares e presidenciais, abertura política, garantia de direitos fundamentais, como o de expressão e imprensa, além do fim das violação aos direitos humanos. Porém, os embates entre manifestantes e forças do governo geraram cenas de violência em várias cidades do país. A estimativa das entidades civis é que cerca de 2 mil pessoas tenham morrido.

Anteontem (10), o presidente da Síria, Bashar Al Assad, reuniu-se com o subsecretário-geral para África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Paulo Cordeiro, o vice-ministro de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ebrahim Ebrahim, e o secretário de Organizações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores da Índia Dilip Sinha.

Durante a reunião com representantes dos países que integram o Ibas (Brasil, Índia e África do Sul), Assad reconheceu que houve excesso das forças de segurança e comprometeu-se a promover eleições gerais, reformas política e econômica, assim como acabar com perseguições em busca do fim do impasse.

Patriota disse ainda que está com a “impressão” de que hoje o dia foi “mais tranquilo” nas principais cidades da Síria, conforme informações publicadas na imprensa que não fazem menção a manifestações violentas nem a repressões intensas. “Há um estado de espírito em Damasco [capital síria] de implementar as medidas prometidas”, disse.