Após 30 dias do voo Noar, famílias de vítimas reclamam de empresa 

Familiares e amigos das 16 vítimas do voo da Noar, que caiu na avenida Boa Viagem, no Grande Recife no dia 13 de julho, se encontraram às 20h desta sexta-feira na missa pela passagem do 30º dia após o acidente. A cerimônia é o primeiro evento da associação dos familiares que está em processo de criação. Durante o culto, alguns deles se disseram desamparados pela companhia aérea.

Um dos líderes da associação, Geyson Soares, irmão do engenheiro Marcos Ely, disse que, passado o primeiro momento, quando a empresa aérea arcou com as despesas funerais e auxílio psicológico para os familiares que necessitaram, a atitude da Noar Linhas Aéreas se transformou. "Por três vezes, solicitei os números de telefones de três famílias, que não são pernambucanas, e eles nada responderam", afirmou Geyson. Nove vítimas moravam no Recife e as demais viviam em Minas Gerais, Ceará e no Rio Grande do Norte.

Edgar Farias, pai do cirurgião dentista Raul Farias, também afirmou que houve mudança na forma da Noar Linhas Aéreas se comportar depois que as famílias saíram do estado de choque. "Eles chegaram a pedir para assinarmos o recibo do seguro antes da efetivação do pagamento e chegaram a dizer que tinham pressa em resolver tudo."

À exceção de três famílias, todas as outras 13 participaram da missa, que começou às 20h na Igreja Nossa Senhora do Rosário e foi celebrada pelo vigário Paulo Amâncio de Freitas. Fotos em banners e faixas de protesto rodeavam o altar enfeitado com flores. O religioso lembrou do arcebispo de Olinda e Recife d. Helder Camara, que proclamava "como é bom ter saudades. Triste é não ter do que ter saudades". Cerca de 100 pessoas acompanharam o culto.

O bimotor LET-410 decolou na manhã do dia 13 e caiu em um terreno livre de construções 4 minutos depois de deixar a pista do Aeroporto dos Guararapes. O voo 4896 levava passageiros do Recife para Mossoró (RN), com escala em Natal.

Empresa: apoio a famílias é "prioridade"

Em comunicado divulgado na quinta-feira, a Noar afirmou que "desde o primeiro momento após o acidente (...), a prioridade da companhia tem sido prestar todo o apoio necessário aos familiares das vítimas".

De acordo com a nota, a estrutura oferecida inicialmente, com assistentes sociais, religiosos e representantes da empresa para, inclusive, "disponibilizar ambulência, transporte, hospedagem, funeral e traslados", vem sendo mantida. A Noar diz que há uma equipe de cinco psicólogos à disposição das famílias e que "se manterá assim enquanto for necessário. A companhia garantiu, ainda, que tem se "esforçado" para viabilizar o recebimento do seguro obrigatório pelas famílias