Congresso e Planalto estão em 'harmonia absoluta', diz Temer

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), disse na noite desta quinta-feira, em São Paulo, que o clima entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional é de "harmonia absoluta". De acordo com o líder, "não há nenhuma perspectiva de acidente ou preocupação na relação entre Executivo e de Congresso Nacional".

Temer deu a declaração após ser questionado sobre a possibilidade de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Governo Federal. Para ele, a maioria dos parlamentares manifesta a intenção de "não instituir" a frente de inquérito. "Todos os parlamenates com quem temos conversado aparentemente não pretendem institui-la, mas esta é uma decisão do Congresso Nacional", disse.

O líder do Democratas na Câmara, ACM Neto (BA), defendeu na terça-feira a criação de uma CPI para investigar todas as denúncias de corrupção durante o governo Dilma. A declaração foi feita após a deflagração da Operação Voucher, na qual a Polícia Federal cumpriu 19 mandados de prisão preventiva e 16 (de um total de 19) mandados de prisão temporária em função do desvio de recursos no Ministério do Turismo.

"Percebemos que corrupção no governo federal é endêmica. Não localiza-se apenas num órgão, mas em toda a administração", disse Neto. ACM Neto disse que não basta "alguns políticos agirem 'para inglês ver' e, por trás, manobrar para que as investigações não sejam aprofundadas". Para o parlamentar, a CPI oferece instrumentos sérios de investigação, como a quebra de sigilos e os depoimentos sob juramento.

Apesar da declaração de Temer, mais cedo nesta quinta o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), comparou o clima na base governista à cerração, intensa neblina característica do inverno gaúcho. "O clima na base está como o Rio Grande do Sul de manhã: gelado e com cerração", disse em referência ao descontentamento dos aliados com a falta de liberação de emendas parlamentares do Orçamento deste ano e com a "faxina" promovida pela presidente Dilma Rousseff nos ministérios do Transporte e da Agricultura.

O embate levou o governo a adiar ontem votações que estavam programadas na Câmara pela ameaça de muitos parlamentares de derrubarem os projetos.