MP investiga policiais da Rota por morte de 6 suspeitos em SP

As mortes de seis supostos assaltantes por policiais militares da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) será investigado pelo Grupo de Atuação de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Os seis homens estariam em tentativa de roubo a caixas eletrônicos em um supermercado do bairro Parada de Taipas, na zona norte de São Paulo, na madrugada da última sexta-feira.

A Polícia Militar de São Paulo negou no mesmo dia ter usado força excessiva no tiroteio. "Não houve excesso. Estamos enfrentando bandidos fortemente armados. Quando estamos numa ocorrência com dez, 15 indivíduos que atiram, nós revidamos. Foi usada a energia necessária", disse o comandante da Rota, tenente-coronel Paulo Adriano Telhada. "A Rota não sai na rua para matar ninguém. Sai na rua para prender."

A ação dos criminosos começou por volta das 3h, quando cerca de 15 homens fortemente armados invadiram um supermercado na avenida Elísio Teixeira Leite para roubar os caixas eletrônicos. Acionado no 18º Batalhão, o policiamento local, com o apoio da Rota - cerca de 60 homens -, foi ao estabelecimento e teria sido recebido a tiros de fuzil. Após tiroteio, um suspeito morreu no local e outros cinco foram levados ao hospital, mas não resistiram. Um homem foi preso e os demais fugiram. Três funcionários chegaram a ser feitos reféns pelos assaltantes.

A polícia apreendeu dois fuzis, duas metralhadoras, diversas pistola e quatro carregadores. O homem preso foi identificado como Reginaldo Moura da Conceição, que, segundo a polícia, tem passagens por roubo, porte de arma, homicídio e formação de quadrilha.

Apesar de o comandante da Rota descartar inicialmente a participação de policiais na quadrilha, a Polícia Civil vai investigar se policiais estão envolvidos com a quadrilha. De acordo com o delegado Maurício Guimarães Soares, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), geralmente esse tipo de crime conta com a participação de ao menos 12 pessoas. "Em princípio, a gente não pode descartar a participação de policiais, já que ao menos 10 fugiram do local", afirmou.

A investigação do episódio, conforme orientação do governo do Estado, ficará a cargo do DHPP já que envolve auto de resistência com morte. "Essa investigação é complexa e demorada porque envolve não só a apuração do roubo, mas também a investigação da resistência seguida de morte", disse Soares.