ACM Neto: Dilma e Lula têm que responder sobre Transportes

O líder do Democratas (DEM) na Câmara dos Deputados, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), vinculou a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, ao suposto esquema de corrupção no Ministério dos Transportes, durante encontro com jornalistas na manhã desta sexta-feira, em seu escritório em Salvador (BA). "Não há distinção entre Lula e Dilma. Tanto o ex quanto a atual presidente devem ser responsabilizados", disse, ao comentar indícios de superfaturamento de obras e recebimento de propina por empreiteiras.

"Não acredito que a presidente Dilma não tenha tomado conhecimento sobre essas irregularidades. Na condição de ministra-chefe da Casa Civil e 'mãe' do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), todos os principais projetos passavam pelo crivo dela", disse.

O deputado criticou ainda o fato de a presidente ter exonerado apenas integrantes do Partido da República (PR) lotados no Ministério dos Transportes e supostamente envolvidos no esquema, "enquanto há integrantes do PT também com suspeita de envolvimento". Ainda de acordo com Neto, o mesmo aconteceu com o ex-ministro Antonio Palocci, quando da acusação de que ele teve o patrimônio aumentado em 20 vezes entre 2006 e 2010.

"Em suma, a presidente tem dado um tratamento adequado ao PR, mas não ao PT. Quem derrubou Palocci, por exemplo, foi o Congresso e a imprensa porque ela o segurou no governo enquanto pôde", afirmou.

O deputado adiantou que a oposição "ainda não está satisfeita" com o saldo de 15 demissões de envolvidos nas irregularidades nos Transportes e que vai convocar o ministro Paulo Sérgio Passos e demais membros do órgão para prestar esclarecimentos sobre o caso.

Para o deputado, as denúncias de corrupção dentro do governo "enfraqueceram, desgastaram e fragmentaram o governo Dilma neste primeiro semestre, ao passo que a oposição vem conseguindo superar a crise."

Eleições de 2012

ACM Neto falou ainda sobre a tentativa do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (ex-DEM), de regularizar o Partido Social Democrático (PSD), fundado por ele, a tempo de disputar as eleições municipais de 2012, frente às constantes denúncias de que vem sendo alvo.

Segundo ele, o PSD "começou mal" e dificilmente conseguirá disputar as eleições em 2012, "o que, invariavelmente, irá comprometer os planos de Kassab", afirmou. "Se antes eu batizei o PSD de 'Partido Sem Dignidade', digo, agora, que ele é o 'Partido Sem Destino'".

Questionado pelos jornalistas, Neto negou que seja pré-candidato à prefeitura de Salvador para as próximas eleições. "A vontade popular é que está me colocando nessa posição", afirmou, em referência à liderança nas pesquisas de opinião. "Mas minha candidatura irá depender, também, dos rumos políticos", disse, em referência à possível aliança entre DEM, PSDB, PMDB e PR.

O deputado não descartou, ainda, a possibilidade de se lançar à candidatura ao governo da Bahia, em 2014. "Como qualquer outro político tenho um projeto majoritário e esse pode ser 2012 ou 2014", afirmou.

A queda do ministro dos Transportes

Uma reportagem da revista Veja do início de julho afirmou que integrantes do Partido da República teriam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do Ministério dos Transportes. O negócio renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério sob a gestão da Valec (estatal do setor ferroviário) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O esquema seria comandado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto. Mesmo sem cargo na estrutura federal, ele lideraria reuniões com empreiteiros e consultorias que participavam de licitações do governo no ramo. Pelo menos dois assessores diretos do então ministro, Alfredo Nascimento (PR), foram afastados dos cargos. Também deixaram suas funções o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, e o diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves.

O PR emitiu nota negando a participação no suposto esquema e prometendo ingressar com uma medida judicial contra a revista. Nascimento, que também negou as denúncias de conivência com as irregularidades, abriu uma sindicância interna no ministério e pediu que a Controladoria-Geral da República (CGU) fizesse uma auditoria nos contratos em questão. Assim, a CGU iniciou "um trabalho de análise aprofundada e específica em todas as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias".

Apesar do apoio inicial da presidente Dilma Rousseff, que lhe garantiu o cargo desde que ele desse explicações, a pressão sobre Nascimento aumentou após novas denúncias: o Ministério Público investigava o crescimento patrimonial de 86.500% em seis anos do filho do ministro, Gustavo. Diante de mais acusações e da ameaça de instalação de uma CPI, o ministro não resistiu e encaminhou, no dia 6 de julho, seu pedido de demissão à presidente.