Dilma recebe lista tríplice com nomes para Procuradoria Geral

A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta sexta-feira a lista tríplice com os nomes sugeridos pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) para a Procuradoria Geral da República. O atual procurador, Roberto Gurgel, foi o mais votado. Os subprocuradores Rodrigo Janot Monteiro de Barros e Ela Wiecko Wolkmer de Castilo completam a lista. A indicação ficará a cargo da presidente e o nome deverá ser submetido à sabatina no Senado Federal.

Se for reconduzido ao cargo, o atual procurador deverá ocupá-lo até 2013. O atual mandato de Gurgel termina no dia 22 deste mês. No início de junho, o procurador arquivou um pedido de investigação contra então ministro da Casa Civil Antonio Palocci sob a alegação de que não havia indícios de tráfico de influência por parte de Palocci. O parecer de Gurgel gerou críticas da oposição, que chegou a apontar possível "suspeição" do procurador-geral na análise do caso por conta da proximidade do fim do mandato. A lista tríplice foi entregue à presidente Dilma pelo presidente da ANPR, Alexandre Camanho. A votação foi realizada no início de maio, nas unidades do Ministério Público Federal de todo o Brasil.

A segunda queda de Palocci

De acordo com reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo no dia 15 de maio, semanas antes de assumir a chefia da Casa Civil Antonio Palocci (PT) comprou um apartamento em São Paulo por R$ 6,6 milhões. Um ano antes, ele havia adquirido um escritório na cidade por R$ 882 mil. Com os novos bens, o patrimônio do ministro teria se multiplicado 20 vezes em quatro anos. O ministro alegou que o lucro foi gerado por sua empresa de consultoria, a Projeto, dentro da legalidade e declarado à Receita Federal. No entanto, ele alegou que cláusulas de sigilo o impediam de revelar maiores detalhes sobre os contratos ou seus clientes.

Mas a onda de denúncias continuou. Na Câmara, o PSDB levantou suspeitas sobre a liberação rápida de cerca de R$ 9 milhões em restituição do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) logo após o primeiro turno das eleições de 2010 a uma empresa, a WTorre. Os valores, relativos aos anos-base 2007 e 2008, teriam sido liberados apenas um mês e meio após o pedido, em duas operações com diferença de quatro minutos entre uma e outra. Em contrapartida, segundo a oposição, a empresa teria financiado a campanha da presidente Dilma Rousseff no valor de R$ 2 milhões. A WTorre seria uma das clientes da empresa de Palocci.

Pressionado pela oposição e pela própria base para que apresentasse uma defesa em público, Palocci concedeu uma única entrevista sobre o tema. Na noite de 3 de junho, ele afirmou ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que sua empresa não atuou com contratos públicos. O ministro disse que trabalhou em fusão de empresas, mas que nunca junto ao Banco Central, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ou ao Ministério da Fazenda para resolver problemas das empresas que procuraram seus serviços.

A Procuradoria Geral da República solicitou explicações ao ministro, mas decidiu arquivar os pedidos de investigação por considerar que não houve indícios de procedimentos ilegais. Mesmo assim, a pressão política sobre Palocci não diminuiu e a articulção da oposição para aprovar uma CPI contra Palocci avançava no Congresso. Diante disso, no dia 7 de junho, o principal ministro de Dilma Rousseff pediu demissão.