Com Copa em outubro, SP ganha fôlego para receber abertura

 A confirmação do anúncio da abertura da Copa de 2014 para os dias 20 e 21 de outubro deu fôlego para São Paulo na luta para ser sede do jogo inicial do torneio. A cidade é a única das 12 escolhidas que ainda não assinou o contrato para construção do Estádio de Itaquera, mas os três meses e 20 dias de intervalo até a divulgação dão tempo para que as pendências sejam resolvidas a tempo.

No momento, o Corinthians, clube que irá erguer o estádio, está à espera da aprovação da Câmara de Vereadores de São Paulo de uma medida de isenção fiscal que garantirá a viabilização econômica do projeto. Todas as outras sedes já têm o contrato assinado e estão em estágio mais avançado de obras do que o Itaquerão, que teve o início do processo de terraplanagem iniciado no dia 30 de maio.

Dentro do Comitê Organizador (COL) existe uma tolerância com o novo projeto da cidade. A avaliação é de que São Paulo perdeu muito com o Morumbi e que a construção do estádio de Itaquera cumpre as etapas em um ritmo aceitável. "O projeto ainda nem comemorou aniversário", disse recentemente o assessor do COL, Rodrigo Paiva.

O discurso oficial é de que a intenção do presidente do comitê, Ricardo Teixeira, é dar um papel de protagonista à cidade. Quando o Brasil anunciou as 12 sedes para o Mundial, São Paulo surgiu como a favorita, mas o veto ao Morumbi em junho de 2010 praticamente encerrou a possibilidade de a cidade sediar abertura e colocou Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Rio de Janeiro como candidatas.

O anúncio do projeto de Itaquera no segundo semestre do ano passado recolocou a cidade no páreo, mas o tempo curto para a viabilização era visto como obstáculo. Neste sentido, a confirmação do anúncio para outubro deste ano, e não julho como chegou a ser cogitado, dará à cidade o tempo necessário para convencer a Fifa que pode receber a abertura.

Nos bastidores, a posse de Geraldo Alckmin no começo deste ano marcou uma reaproximação entre o COL e o Estado. Na última semana, o governador fez uma visita a Ricardo Teixeira na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e atualizou o presidente da entidade sobre os andamentos das obras em Itaquera.

No âmbito do governo federal, a reaproximação também ocorre. Em maio, a administração anterior do governo José Serra e Alberto Goldman recebeu críticas diretas do ministro do Esporte, Orlando Silva, pela demora na consolidação de um projeto e início das obras do estádio. Porém, o ministro disse que o governo atual apresentava evoluções.

Dias depois, o jornal O Estado de S. Paulo publicou que existiria na Fifa uma pressão nos bastidores para que São Paulo ficasse fora até da Copa. Na resposta, o comitê organizador disse que estava empenhado pela cidade e a tolerância com o projeto em Itaquera indica esse caminho.

Como informou o Terra, o comitê organizador já trabalhava desde a semana passada com a certeza de que a definição da abertura seria depois de setembro. No discurso, ao mesmo tempo em que indicava que iria esperar pela viabilização econômica do estádio de Itaquera, o comitê evitava colocar a cidade como favorita e falava em decisão técnica para o jogo que é visto como o mais complexo do Mundial pelo alto número de autoridades, veículos de comunicação e patrocinadores presentes.

Assim, a cidade de São Paulo terá até outubro para resolver seus problemas e convencer o comitê que merece receber a abertura. Uma reunião em Zurique, na Suíça, com o comitê da Fifa responsável por 2014, definirá a cidade dias antes do anúncio confirmado no congresso da entidade nos dias 20 e 21 daquele mês.