'Nunca mais você vai ser o meu avô', diz, em carta, menor que sofreu abuso também do padrasto

"Nunca mais você vai ser o meu avô". É com essa frase que a menina de 9 anos, que teria sido abusada pelo padrasto e pelo marido da avó, com quem ela vivia havia 17 anos, finaliza uma carta escrita ao avô postiço. O delegado Tiago José dos Santos Húngaro não revela todo o conteúdo dos bilhetes, mas afirma que a garota chorava ao falar do companheiro e do padrasto de sua mãe.

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A polícia afirma que a menina contou com riqueza de detalhes os abusos sexuais e psicológicos que sofria diariamente. Na carta escrita ao marido de sua avó, a garota diz que ele não sabe o que fez com ela e se diz decepcionada. Em um dos trechos, ela expressa raiva por Joel Barbosa Dias, 44 anos. "Eu te odeio e muito e queria que você fosse preso para o resto da vida". "Fiquei pensando que você é meu avô e quando eu tava gostando de você, vai e me decepciona", diz em outro pedaço.

A avó materna disse não ter notado nada de estranho com a menina durante os cinco anos que a garota afirma ter sido abusada dentro de casa. A mulher morava com os três suspeitos, a vítima e um garoto de 3 anos, em uma casa simples de um quarto no Balneário Mar Azul na cidade de Itapuí, a 258 km de São Paulo.

O avô postiço negou que tenha praticado qualquer tipo de abuso contra a garota. Segundo a polícia, o padrasto, Josival de Oliveira, 23 anos, admitiu que molestasse a enteada, mas disse que nunca chegou a consumar nenhum ato por medo de machucá-la.

A mãe da vítima, Vanilda Ribeiro da Luz Souza, 28 anos, também foi presa. "Ela tinha o dever de proteger a filha", afirmou o delegado, que, depois de ouvir a menor por quatro horas, disse não ter dúvida sobre a culpa dos suspeitos.

"Não se pode revelar tudo, mas eu ouvi com riqueza de detalhes as atrocidades que eram cometidas contra essa menina pelos acusados", disse. Parentes, vizinhos e colegas da garota serão ouvidos. Os três suspeitos foram encaminhados para cadeias da região. A prisão temporária de 30 dias foi pelo crime de estupro de vulnerável, que se caracteriza quando existe conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 14 anos ou deficiente mental.