Pesquisa revela que juízes trabalhistas têm excesso de trabalho e 41,5% sofrem de depressão

Pesquisa promovida pela Associação Nacional dos Magistrados Trabalhistas (Anamatra), realizada durante um ano, revelou que os juízes dessa área do Judiciário trabalham demais – inclusive nos fins de semana e durante as férias. E que 41,5% deles têm diagnóstico de depressão, 51% padecem de insônia, e 33,2% estiveram de licença médica nos últimos 12 meses. 

A pesquisa foi coordenada pela professora Ada Ávila Assunção, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, e doutora em ergonomia pela École Pratique dês Hautes Études (Paris). De acordo com a Anamatra, o estudo orientou-se por todos os preceitos éticos, sob o controle do Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG. Foram ouvidos 706 magistrados trabalhistas (20,6% dos associados da entidade), metade homens, metade mulheres, da faixa etária predominante de 35 a 46 anos (43,6%).

Trabalho intenso

De acordo com a apresentação da pesquisa, “as respostas convergem para uma situação que pode ser nomeada de trabalho intenso, pois 45% dos sujeitos se deitam depois da meia-noite, e 17,9% se levantam antes das 5 horas, por causa do trabalho”. Além disso, 84,4% dos juízes afirmam que trabalham em casa. O estudo considera “preocupantes” as respostas que indicam “invasão da vida extratrabalho”, já que 64,3% afirmaram trabalhar nas férias e 70,4% nos fins de semana, “mesmo estando muito cansado”. Com relação à saúde dos ouvidos, 41,5% declararam ter diagnóstico médico de depressão, 17,5% informaram usar medicamentos para depressão ou ansiedade, 54% que dormem mal, 28% que estão tristes atualmente.