Denúncia de tucanos contra Palocci é ridícula, diz Vaccarezza

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), desqualificou nesta quarta-feira as novas denúncias de tráfico de influência contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Segundo deputados do PSDB, Palocci teria usado sua influência para conseguir, em tempo recorde, a restituição do imposto de renda pessoa jurídica (IRRJ) das empresas clientes da sua consultoria para doar o dinheiro à campanha da então candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff.

"Isso é ridículo, é coisa de quem não tem assunto e está procurando chifre em cabeça de cavalo. Nunca nos negamos a discutir se vai convocar ou não o ministro Palocci. Hoje discutimos sete requerimentos. Todas as questões legais do que precisaria ser feito ele fez, agora ele não vai fazer o que a oposição quer para montar um palanque para ela fazer discurso", disse.

De acordo com novas denúncias, feitas hoje pelo deputado Fernando Francischini (PSDB-MG) com base em dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, Palocci teria praticado o tráfico de influência para beneficiar a então candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff. Um cliente da empresa de consultoria de Palocci teria recebido cerca de R$ 9 milhões em restituição do imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) logo após o primeiro turno das eleições, e doado R$ 2 milhões para a campanha petista.

Segundo dados apresentados por Francischini, o dinheiro foi liberado pela Receita Federal apenas um mês e meio após o pedido, em duas operações com diferença de quatro minutos entre uma e outra. Segundo Francischini, foram feitos dois saques, um de R$ 6,25 milhões e outro de R$ 2,92 milhões. No dia seguinte aos saques, uma doação de R$ 1 milhão foi feita à campanha de Dilma, sendo seguida por outra de igual valor 15 dias depois.

"Não quero chegar ao ponto de dizer que há envolvimento da campanha, mas quero que se explique essas doações, porque ele (Palocci) era um dos arrecadadores da campanha. É preciso que Dilma dê ordem ao Palocci para que a sujeira que está na Casa Civil não chegue no gabinete da Presidência, afinal há indícios fortes de tráfico de influência. Queremos saber se a consultoria do Palocci ajudou nisso. Eu espero que não seja mais um modelo de maquiagem de dinheiro de caixa dois para campanha", disse Francischini.