Assembleia do Paraná teve 48 carros roubados em 7 anos

A Comissão Especial de Patrimônio da Assembleia Legislativa do Paraná divulgou relatório parcial de seus trabalhos com um dado curioso sobre a frota de veículos do Legislativo. Com 55 carros registrados no Detran-PR em nome da Assembleia, apenas seis estão disponíveis na Casa, um consta como ativo, mas não foi localizado, e 48 constam como roubados.

O dado assustou o presidente da Comissão, deputado Reni Pereira (PSB), segundo secretário da Assembleia. "É, no mínimo, estranho, 48 carros roubados em um período de sete anos (entre 1994 e 2001). E essa é só a situação dos veículos, quando concluirmos o relatório de todo o patrimônio o choque poderá ser maior, quando a população descobrir, por exemplo, que nem a sede do parlamento está documentada em nome do Poder Legislativo", disse.

Sobre a possibilidade de alguma fraude contra a seguradora, como a venda desses carros em mercados clandestinos e o posterior registro do roubo, Pereira preferiu não cogitá-la. "A polícia fez a investigação e não encontrou os carros. A Comissão se presta a constatar o patrimônio real da Assembleia e inventariá-lo. Só o que nos cabe fazer é uma sindicância para apurar o que aconteceu com esse veículo que não consta como roubado e não foi localizado. Concluímos em relação aos veículos".

A comissão especial foi montada pela nova administração da Assembleia para tentar levantar e catalogar todos os bens do legislativo, desde imóveis até obras de arte, uma vez que, ao tomar posse, a nova mesa diretora da Casa não tinha nenhuma informação sobre o patrimônio da Assembleia. Segundo o relatório da situação da frota de veículos, o último registro de roubo ocorreu há oito anos. O primeiro registro é de 1994. Pereira disse que ainda vai calcular o tamanho do prejuízo causado à Assembleia pelo roubo dos carros.

O caso fez até com que voltasse a público o ex-diretor-geral da Assembleia, Abib Miguel, que responde em liberdade pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, e é acusado de ser o comandante do esquema de contratação de funcionários fantasmas através dos diários secretos. Ele ligou para a rádio CBN de Curitiba para lembrar que todos os carros tinham seguro pagos à Assembleia. Assim, a Assembleia não teria nenhum prejuízo. Bibinho, como é conhecido, foi procurado mas não atendeu mais à imprensa, nem para falar sobre os carros nem sobre os processos em que é acusado de desviar R$ 100 milhões da Assembleia.

O presidente da Assembleia, deputado Valdir Rossoni (PSDB), confirmou que a perda dos carros não representou prejuízo ao Legislativo, uma vez que eles estavam devidamente segurados. "São carros de dez, 12 anos atrás. Foi verificado na polícia e apurou-se que foram feitos, à época, os boletins de ocorrência referentes aos furtos e roubos, dando-se finalmente agora ¿ e somente agora ¿ a baixa deles nos registros patrimoniais competentes. A situação dos carros está agora regularizada", disse.