'Foi um milagre', diz sobrevivente de naufrágio no Distrito Federal. Há oito mortos

 

Onze pessoas da mesma família participavam da festa de confraternização de funcionários de um buffet, no barco Imagination, que naufragou no último domingo, no Lago Paranoá, no Distrito Federal. "Creio que foi um milagre todos terem sobrevivido, pois meu marido Hilton Carlos não sabe nadar, porém estava na parte que afundou por último", disse a mãe de família Luciane Santana, 39 anos. Até a noite de ontem, oito corpos haviam sido resgatados.

Nesta terça-feira, seis dos integrantes da família prestaram depoimento na 10ª Delegacia de Polícia: Hilton Carlos Soares, 34 anos; sua mulher Luciane; o filho dela, Stephano Santana, 20 anos; o irmão de Hilton, Allan Gonçalves, 27 anos; a irmã Margó Soares, 30 anos; e a prima Elsiane Oliveira, 24 anos.

Luciane disse que estava no segundo andar do barco e que só conseguiu se salvar porque o filho conseguiu um colete para ela. "Se tivesse sem colete, teria morrido, pois, quando caí na água, muitas pessoas caíam em cima de mim".

O eletricista Hilton Carlos trabalhou na noite de sábado como barman no Imagination. Ele disse que, por várias vezes, o barco apresentou problemas elétricos. "Apagava todas as luzes da embarcação e o motor parava por alguns segundos", afirmou. No domingo, ele afirmou que o problema persistiu.

A auxiliar de enfermagem Elsiane disse que não houve orientação para os passageiros na hora de embarcar e que, durante uma hora e meia, as luzes se apagavam por alguns segundos. Como ela nunca esteve em um barco antes, pensou que fosse normal. "Só percebi que havia algo errado quando estava na pista dançando e alguém anunciou no microfone para irmos para a proa".

Já o professor Allan Gonçalves ouviu dos organizadores da festa a orientação para que, na parte de cima do barco, só ficassem 30 pessoas. Depois, segundo o professor, os organizadores pediram para as pessoas passarem para o lado direito do barco para equilibrar o peso da embarcação. "Foi tudo muito rápido. Algumas pessoas pegaram os coletes que caíram na água, eu achei uma boia e fiquei agarrado a ela com mais oito pessoas".

Para ele, o momento mais angustiante foi quando estava na água sem saber como estava a família: "nunca imaginei que isso pudesse acontecer, pensava que o passeio seria seguro. Na hora Pensei que fosse morrer, mas fiquei aliviado ao encontrar toda a família após o resgate".

Naufrágio

O Imagination afundou por volta das 20h de domingo, na parte sul do lago Paranoá, próximo à Ponte JK - um dos principais cartões postais de Brasília. O naufrágio ocorreu exatamente um ano após uma lancha afundar no lago Paranoá. No acidente ocorrido na madrugada do dia 22 de maio de 2010, das dez pessoas que estavam a bordo da embarcação, oito foram resgatadas com vida: duas mulheres - de 18 e 21 anos - morreram.

A Polícia Civil do Distrito Federal divulgou nesta terça-feira uma lista de seis vítimas resgatadas sem vida após o naufrágio. Quatro delas já foram identificadas: o bebê João Antônio Fernandes Rocha, retirado com vida e morto ainda no domingo; Flávia Daniela Pereira Dornel, 22 anos, Ester Araújo de Oliveira, 10 anos, e Vicente Carneiro de Sousa Neto, 36 anos, cujos corpos foram resgatados ontem pelas equipes de buscas. Eles estão à disposição das famílias no Instituto Médico Legal (IML). Os corpos retirados da água hoje, de dois homens adultos, ainda estão em perícia. À noite, mais dois corpos foram resgatados, aumentando o número de vítimas para oito.

Ainda restam três ou quatro ocupantes do barco desaparecidos. De acordo com a polícia, é possível que dois nomes que constam na lista de desaparecidos pertençam à mesma pessoa. Ao todo, 94 pessoas sobreviveram, a maioria nadando até a margem do lago. A Marinha instaurou inquérito para apurar as causas do acidente e informou que a embarcação tinha autorização para transportar até 92 pessoas. A hipótese de superlotação é a mais cotada para explicar o acidente.