Filmagens de 'Os Senhores da Guerra' quebram rotina pacata no interior gaúcho

Brasília - Acostumados ao ritmo pacato do interior, os moradores de Passo Verde, distrito da zona rural do município gaúcho de Santa Maria, estão vivendo os bastidores de uma verdadeira superprodução cinematográfica. Lá, o escritor e cineasta Tabajara Ruas está dirigindo as filmagens de Os Senhores da Guerra, dois longas-metragens que contam a história dos irmãos Júlio e Carlos Bozano, que estiveram em lados opostos na Revolução de 1923, no Rio Grande do Sul, quando houve um conflito entre maragatos (federalistas) e chimangos (republicanos).

Os dois filmes são baseados no livro Os Senhores da Guerra, do jornalista e escritor José Antônio Severo, publicado em 2000 e relançado recentemente pela LP&M Editores. O orçamento dos filmes é R$ 8,5 milhões. Os recursos foram integralmente captados com apoio da Lei do Audiovisual, por meio da qual as empresas podem deduzir do imposto a pagar os investimentos feitos em produções culturais.

Embora o orçamento de R$ 4,25 milhões para cada filme não seja alto, a produtora executiva Lígia Walper considera Os Senhores da Guerra uma superprodução pelo grande número de pessoas envolvidas nas filmagens. “Existem filmes com orçamentos bem maiores, mas se formos pensar do ponto de vista da movimentação podemos chamar de uma superprodução. A comunidade se envolveu muito e tivemos apoio de toda ordem."

São 42 atores e mais de 100 profissionais das áreas técnicas envolvidos nas filmagens. A previsão é que o número de figurantes passe de mil, sem contar com as pessoas de Santa Maria que se mobilizaram para ajudar e participar do épico de alguma forma.

O elenco de Os Senhores da Guerra é todo gaúcho. Rafael Cardoso interpreta Julio Bozano, advogado nomeado intendente aos 26 anos e que comanda o Exército contra o seu irmão, Carlos Bozano, vivido por André Arteche. Também estão em cena Leonardo Machado, Marcos Breda, Zé Vitor Castiel, Miguel Ramos, Marcos Verza, Sissi Venturini, Sirmar Antunes e Fernanda Moro.

O livro que inspirou a superprodução tem 600 páginas. Pela riqueza dramática e pelo detalhamento histórico feito por José Antônio Severo, Tabajara Ruas decidiu contar a história em dois filmes: Os Senhores da Guerra - Passo das Carretas e Os Senhores da Guerra - Passo da Cruz. As duas histórias se fecham em cada filme.

O épico mostra que as brigas entre maragatos e chimangos têm ligação com a história do Brasil. Isso porque parte dos gaúchos também combateu os tenentes que se revoltaram contra o presidente Arthur Bernardes e deflagraram a Marcha da Coluna Prestes – movimento político-militar de oposição à República Velha, liderado por Luís Carlos Prestes.

“São duas rebeliões diferentes, mas que se apoiavam. Havia o conflito do Rio Grande, com os maragatos contra Borges de Medeiros, e o levante dos tenentes para derrubar Arthur Bernardes. Os tenentes eram aliados dos maragatos", explica Tabajara Ruas.

A ideia dos produtores é lançar o primeiro filme em meados de 2012 e o segundo um mês depois.