Entidades pedem que União atue para apurar ataques do PCC

 

Cinco anos após a onda de ataques atribuída à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que paralisou São Paulo em 2006, entidades ligadas aos direitos humanos querem federalizar as investigações, por considerarem que no âmbito estadual elas estiveram longe de ser satisfatórias. O estudo 'São Paulo sob achaque: corrupção, crime organizado e violência institucional em maio de 2006' aponta que houve indícios da participação de policiais em 122 execuções entre 12 e 20 de maio de 2006. No período, 493 pessoas morreram, incluídos 43 membros de forças de segurança do Estado.

"Passados cinco anos, essa onda de crimes ainda carece de investigação. Os crimes de maio não só chocaram São Paulo, mas repercutiram nas Américas e no mundo inteiro. O fato de São Paulo ter parado pelas mãos de um grupo criminoso, além dos crimes que se sucederam, são fatos que precisam de uma investigação, uma pesquisa ampla sobre o que aconteceu, por que aconteceu e qual a resposta das autoridades para que isso não volte a acontecer. Queremos a federalização do conjunto de crimes não resolvidos e a implantação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para colaborar nessas investigações. As autoridades paulistas não cumpriram com as suas obrigações", disse James Cavallaro, da ONG Justiça Global e da Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard, responsáveis pelo documento.

O levantamento aponta três motivos para a ação dos criminosos naquela ocasião: corrupção policial contra membros do grupo, falta de integração dos aparatos repressivos e a transferência que uniu 765 membros do PCC, às vésperas do Dia das Mães de 2006, em prisão do interior paulista. Trecho do relatório diz que "os crimes de maio foram marcados pela violência brutal do PCC, mas também foram uma demonstração do preço da corrupção, da fúria da violência policial e da falência do sistema prisional".

De acordo com Fernando Delgado, da clínica de Direitos Humanos de Harvard, nos anos anteriores aos ataques, não havia indícios de rebeliões no sistema prisional paulista. "Por que começou em 2006? Acreditamos que foi uma represália à corrupção policial, motivada pela tentativa de extorsão a membros do grupo. Interceptadas ligações telefônicas entre eles, a polícia exigia dinheiro para não os prenderem. Essas investigações de corrupção ainda não tiveram repercussão no alto comando da polícia."