Com Alckmin e Serra, convenção escolhe presidente do PSDB

SÃO PAULO - Procurando mostrar unidade em meio à crise na oposição ao governo federal, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, chegou acompanhado do ex-governador e colega de partido José Serra por volta das 13h à convenção que escolherá o próximo presidente estadual do PSDB. Muito assediados pela militância, os dois votaram e, um em seguida do outro, minimizaram a saída recente de quadros históricos do partido.

"O PSDB está unido para pensar e servir o Brasil", disse Alckmin. Serra afirmou que o partido chega "muito forte" para a convenção, destacando a eleição em primeiro turno de Alckmin no ano passado e a maioria das prefeituras de São Paulo sob controle tucano. "O partido é vitorioso no Estado", disse. Comentando a saída de correligioários, Serra afirmou que trata-se de um "desenlace indesejado, mas que não prejudica o partido".

Questionado sobre a criação de um novo partido pelo prefeito Gilberto Kassab, Serra afirmou que o PSD "não é inimigo". "Eles nunca foram militantes do partido, mas não são inimigos do PSDB", disse. Seguindo a tônica da convenção, o candidato derrotado à Presidência da República estocou os petistas. "O governo, do qual participou Dilma, Lula deixou várias heranças malditas. "A inflação, a falta de inraestrutura, nos criticou por adotarmos algumas posturas no passado e agora fazem a mesma coisa, mas errado. E investem em projetos megalomaníacos, como o trem-bala", disse.

A chegada dos dois maiores caciques do PSDB aconteceu com muito assédio da militância presente e alguns detalhes curiosos. O ex-governador chegou dirigindo o automóvel que trazia a comitiva, com Alckmin na carona. Nas caixas de som da convenção tocava o sucesso de Roberto Carlos "Eu quero apenas", canção que fala em ter "um milhão de amigos", enquanto os seguranças lutavam para levar Alckmin e Serra para votar na Assembleia Legislativa enquanto se acotovelavam com a multidão. Finalmente, antes de seu discurso, Serra comeu uma pequena barra de chocolate, para "manter a glicose".

A convenção estadual tucana deve escolher o novo presidente da sigla no Estado. A escolha se dá em meio a uma crise que afastou seis vereadores da capital paulista, após divergências na escolha do presidente do diretório municipal tucano. Nos bastidores, especula-se que a eleição municipal de São Paulo de 2008 seja o pano de fundo da disputa, quando setores do partido apoiaram a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM), aliado de Serra, esvaziando a candidatura de Alckmin, hoje governador.