Caminhada reúne 12 mil em Teresina contra 'epidemia' do crack

TERESINA - Com o diagnóstico de que 90% das ocorrências policiais no Piauí envolvem o consumo de drogas, a Câmara de Enfrentamento ao Crack realizou na manhã deste domingo a 1ª caminhada de alerta. De acordo com estatísticas da polícia, cerca de 12 mil pessoas participaram da manifestação contra o que o governador do Estado, Wilson Martins (PSB), classificou de "epidemia social".

Com o tema "Vida sim, droga não", o governador Wilson Martins (PSB) e o prefeito de Teresina, Elmano Férrer (PTB), foram às ruas pedir apoio da população. Segundo dados divulgados pelo governo, dos 224 municípios do estado, 200 deles já registram casos nas delegacias envolvendo drogas.

Vestidos com camisetas brancas, autoridades, ONGs e populares saíram do Palácio de Karnak, sede do governo, passaram pela avenida Frei Serafim e encerraram a caminhada em ato na praça ao lado da Assembleia Legislativa. Antes da caminhada, foi realizado um ato ecumênico com a presença de representantes de diferentes religioões.

O governador do Piauí, Wilson Martins, alertou que o crack está matando mais que o câncer e as doenças cardiovasculares. Martins classificou a droga como uma "epidemia social" e que os índices estão alarmantes no estado. Segundo ele, de cada dez famílias, seis enfrentam o problema da droga.

"O crack é hoje o maior mal, que provoca mortes e destrói as famílias. No Piauí, de cada dez casos de violência registrados, nove estão relacionados com o uso de drogas", afirmou o governador.

O secretário de Segurança Pública, Robert Rios Magalhães, destacou que o consumo de drogas tem elevado os índices de homicídios e violência no Estado. "Atinge criança desde 9 anos até adultos de 24 anos", disse. No Piauí, o aumento das ocorrências envolvendo o crack motivou a criação da Câmara de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, com a presença de todas as entidades governamentais, ONGs, igrejas e sociedade civil organizada.

Participou também da caminhada o senador Wellington Dias (PT), ex-governador do estado. Ele destacou a importância de estruturar uma rede de atendimento ao dependente químico. No estado, 480 dependentes aguardam na fila de espera por uma vaga para internação.