Jaqueline Roriz reaparece na Câmara depois de mais de um mês ausente

BRASÍLIA - Depois de mais de um mês sem comparecer ao trabalho na Câmara, a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) reapareceu nesta quarta-feira na Casa e foi diretamente ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar para converar sobre as representações que tramitam contra ela. Ao falar com a imprensa, a deputada disse que não iria se manifestar contra as denúncias e acusações. “Eu me guardo no direito de, nesse momento, me calar porque necessito esperar formalmente as acusações”.

A deputada disse que não vai renunciar ao mandato parlamentar. Ela responde a processo de cassação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, após ser mostrada em fita de vídeo recebendo dinheiro do operador e delator do Mensalão do DEM, Durval Barbosa, em 2006, e também por denúncias de usar parte da verba indenizatória da Câmara para pagamento de aluguel de uma sala do seu companheiro, Manoel Neto.

No Conselho de Ética, a deputada e seus advogados reuniram-se com o presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo (PDT-BA), e com o relator do processo, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), e apresentaram a defesa na parte do processo referente ao uso da verba indenizatória.

O advogado da deputada, José Eduardo Alckmin, disse que na conversa com os dirigentes do conselho insistiu na tese de que não cabe ao Conselho de Ética apurar fatos que não sejam praticados por quem não é deputado federal.

“Essa é a tese da defesa de que esse fato (recebimento de dinheiro) não deve se apurar aqui, mas no Supremo Tribunal federal com a colaboração da Procuradoria-Geral da República”.

Em relação ao uso da verba indenizatória, Alckmin informou que se demonstrou o cadastramento regular do escritório parlamentar e que seguiu os trâmites normais da Câmara e que não houve pagamento de aluguel, mas de despesas como condomínio. O advogado também argumentou que a seu ver o processo contra a sua cliente deve ser arquivado, “porque a conduta objeto da representação não é conduta atribuída a deputado, mas sim a pessoa que não exercia mandato”.