Evitar apagões custaria mais para consumidor, diz Aneel

 

Em audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor, realizada nesta quarta-feira, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hübner Moreira, afirmou que ações para evitar a ocorrência de apagões resultariam em um aumento de no valor das tarifas cobradas do consumidor. "Nós podemos exigir das empresas um padrão de qualidade que não permita qualquer tipo de interrupção, mas isso envolve custos que certamente seriam repassados ao consumidor com aumento de tarifas", disse.

A declaração se deu em resposta ao questionamento do deputado Valadares Filho (PSB-SE), que perguntou ao diretor-geral da Aneel sobre as causas dos recentes apagões ocorridos no País e também sobre quais serão as punições aplicadas às empresas responsáveis.

Quanto às punições, Moreira explicou que a Aneel se baseia em um relatório técnico para determinar a multa aplicada às concessionárias e citou como exemplo o blecaute de 2009, que custou a Furnas cerca de R$ 40 milhões em multas.

Moreira também rebateu as críticas à qualidade do sistema elétrico brasileiro. Segundo ele, não se pode analisar o desempenho de todo o sistema com base apenas nas recentes interrupções. "Uma interrupção como a que ocorreu em São Paulo, devido ao número de consumidores atingidos, acaba ganhando bastante repercussão, mas isso não indica deficiência em todo o sistema", afirmou.

O diretor-geral da Aneel reconheceu, contudo, que, apesar de os indicadores mostrarem uma queda no número de interrupções nos últimos anos, houve um aumento na duração delas. "Isso revela problemas de gestão por parte da concessionária e está relacionado à falta de manutenção e de técnicos", observou.