São Paulo: Escola não responderá criminalmente por morte, diz advogado

 

O Colégio Adventista de Embu das Artes, na Grande São Paulo, não deve responder criminalmente pela morte do estudante Miguel Cestari Ricci dos Santos, 9 anos, em setembro de 2010, disse o assistente de acusação, advogado Ademar Gomes, após a reconstituição do crime, nesta terça-feira. Ele informou que a instituição será processada na área cível por danos morais e materiais pela família do menino.

A reconstituição terminou por volta das 16h, após cinco horas de trabalhos. Conforme Gomes, a conclusão da reprodução simulada foi a mesma do inquérito preliminar: um aluno de 10 anos levou a arma do pai para o colégio a fim de se exibir e disparou contra a vítima. Segundo o advogado, a família do menino acusado também deve responder a processo e pode ser condenada a pagar cestas básicas

Algumas crianças da escola participaram da reconstituição, mas a criança suspeita de efetuar o tiro não falou. "A criança não foi ouvida. Não é justo que se force um menino de 10 anos a participar. Ele está sob custódia do Ministério Público e de psicólogos", disse o assistente de acusação.

A arma usada nunca foi localizada e não foi encontrado vestígio de pólvora na mochila do garoto, onde teria sido transportada a arma de fogo. Não há também testemunhas do momento em que o disparo ocorreu, pois na sala de aula estava apenas o aluno com a arma e a vítima. O menino que foi acusado nega todas as conclusões e afirma que estava brincando no momento em que a arma teria sido disparada.

As crianças que participaram da reconstituição da morte, foram liberadas cerca de uma hora e meia antes da conclusão dos trabalhos. Elas saíram do colégio em um comboio de seis carros, todas acompanhadas dos pais.

Escola não comenta investigação

 No início da tarde desta terça-feira, a assessoria de imprensa da Escola Adventista de Embu das Artes divulgou nota em que afirma estar contribuindo "para a melhor assistência possível a pais e alunos, cooperando com as autoridades dentro dos parâmetros legais". "Por determinação judicial, o processo segue em sigilo. Portanto, o acesso ao local esteve restrito às autoridades e pessoas necessárias à investigação, não sendo permitido qualquer pronunciamento a respeito das ações em curso", diz a instituição.

"Todos os funcionários da escola solicitados estiveram à disposição das autoridades no local, dispondo-se mais uma vez colaborar para o esclarecimento dos fatos", diz o texto.