Polícia reconstitui morte de criança em escola de SP

SÃO PAULO - Representantes da Polícia Civil de Taboão da Serra e do Ministério Público e estudantes do Colégio Adventista de Embu das Artes, na Grande São Paulo, estão reunidos desde as 11h desta terça-feira dentro da instituição para a reconstituição do crime que terminou na morte do menino Miguel Cestari Ricci dos Santos, que tinha 9 anos em setembro do ano passado, quando foi morto. Pelo menos oito crianças participam da perícia. Não há previsão para o final dos trabalhos.

Desde as 7h40 estão reunidos em frente ao colégio 10 familiares do menino, que foi morto acidentalmente por um de seus colegas, de acordo com o inquérito policial. Uma das mais revoltadas era a mãe da criança, Roberta Ricci. "Quero que, de alguma maneira, os pais da criança sejam responsabilizados", disse.

O advogado criminalista Ademar Gomes, assistente de acusação no caso, disse que a reconstituição do crime tem por objetivo tirar algumas dúvidas em relação à "dinâmica dos acontecimentos". "Tem por objetivo tirar dúvidas quanto à lavagem do local e a posição das crianças no momento do crime. Acreditamos que possa ter havido fraude processual por conta da limpeza do local do crime", disse o advogado. Ainda de acordo com Ademar Gomes, também não se sabe se a arma disparou enquanto o colega da vítima a exibia ou se ela disparou acidentalmente dentro da mochila.

Segundo as investigações, a arma era da família do garoto que a levou para exibir para os colegas. A família pode responder por porte ilegal de armas, além de homicídio culposo (sem intenção de matar). Em outubro do ano passado, o delegado que investiga o caso pediu a perda do poder familiar (antes "pátrio poder") para os pais do garoto acusado de matar o colega. Não há informações sobre o deferimento do ofício, em função de o processo correr sob sigilo judicial.