Greve impede a entrada de presos nas penitenciárias do Piauí

 

Os agentes penitenciários do Piauí impediram a entrada de detentos nos maiores presídios do Estado no primeiro dia de paralisação. A categoria iniciou uma greve de 48 horas à 0h desta terça-feira, após desentendimento com o governo sobre reajuste salarial.

Os grevistas fizeram barricadas com veículos e pneus e proibiram a entrada dos presos. A direção do presídio convocou o grupo Rondas Ostensivas de Naturezas Especiais (Rone), a tropa de elite da Polícia Militar, mas o pelotão desistiu de entrar em confronto com os agentes, após negociação.

O momento mais tenso da greve ocorreu em frente à Casa de Custódia, em Teresina, quando um delegado tentou entrar no presídio com dois detentos do município de Miguel Alves (PI), a 110 km da capital do Estado. Com a indecisão, os presos ficaram 8 horas dentro da viatura. O delegado ainda tentou levar os dois acusados de tráfico de drogas para o presídio Irmão Guido, também em Teresina, mas não obteve sucesso.

O vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Wellington Rodrigues, informou que a Casa de Custódia está superlotada com mais de 700 presos, quando a capacidade é de 300 detentos. "Estamos impedindo a entrada, pois não existem mais vagas nos pavilhões. O sistema está um caos", disse.

Na segunda-feira, um preso foi morto asfixiado com uma sacola plástica dentro da Casa de Custódia. Os agentes denunciam fugas constantes e reivindicam melhores condições de trabalho. Outra pauta é reajuste de 24% nos subsídios e convocação dos candidatos aprovados no último concurso.

No Piauí, há mais de 3 mil presos em 13 presídios. Mais de 700 agentes fazem segurança nas penitenciárias. O sindicato garantiu que a lei do efetivo mínimo da greve está sendo cumprida - 30% dos funcionários estão trabalhando.

O governo do Estado já anunciou que não vai negociar com a categoria em greve e não tem recursos para bancar o reajuste. O governador Wilson Martins (PSB) convocou a Polícia Militar para fazer plantões nos presídios.