Relatório da PF sobre mensalão endossa CPI dos Correios, diz DEM

 

O Democratas (DEM) divulgou nota afirmando que o relatório final da Polícia Federal sobre a investigação do esquema do mensalão "endossa toda a investigação já realizada" pela CPI dos Correios e pelo Ministério Público Federal. A divulgação do documento, segundo o partido, "joga por terra qualquer tentativa do ex-presidente Lula de tentar reescrever a história".

O relatório da Polícia Federal divulgado na edição deste sábado da revista Época afirma que o mensalão foi financiado por dinheiro público, tendo o fundo VisaNet, do Banco do Brasil, como origem dos recursos do valerioduto. A revista afirma ainda, baseada no relatório, que o segurança pessoal de Lula, Freud Godoy, recebeu R$ 98,5 mil da SMP&B, de Marcos Valério, pelo pagamento dos serviços na campanha presidencial de 2002. O relatório coloca ainda mais políticos na lista de beneficiados pelo esquema.

Em nota, o DEM afirmou que o relatório "traz fatos novos que aproximam ainda mais o escândalo da campanha que elegeu Lula presidente em 2002". "Confiamos que diante desses novos fatos, o MPF e a Justiça adotem todas as providências necessárias afim de buscar a responsabilização dos citados no relatório da PF", finaliza a nota.

O mensalão

Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema. O caso veio a público quando foi denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson. Segundo Jefferson, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Em janeiro de 2008, o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com o acordo, Pereira teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos.

No relatório, Barbosa apontou o ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu; o ex-presidente do PT, deputado José Genoino (SP); o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares; e o ex-secretário-geral Silvio Pereira, como núcleo central do esquema. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genuíno e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

O voto do relator apontou ainda que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto por Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles foram acusados por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A denúncia inclui ainda parlamentares do PT, do PP, do PR (ex-PL), do PTB e do PMDB. Entre os acusados está Roberto Jefferson. O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha responde processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Em setembro do ano passado, saiu a primeira sentença do caso, quando a Justiça Federal condenou o advogado Rogério Lanza Tolentino, apontado como sócio do publicitário Marcos Valério, a sete anos e quatro meses de prisão, mais pagamento de 3.780 salários mínimos, pelo crime de lavagem de dinheiro.