Em São Paulo, 25 gangues apavoram gays e negros nas ruas da capital

Para a Polícia Civil do Estado de São Paulo, a região da Avenida Paulista e da Rua Augusta, próxima ao centro da capital, é também conhecida como "faixa de Gaza". É nesta área que, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, ocorre grande parte dos "crimes de ódios" investigados pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). O local é ponto de intersecção entre gays, negros e integrantes desses grupos que normalmente aparecem como responsáveis pelas agressões aos dois primeiros e por pancadarias em torcidas organizadas. Responsável pela identificação desses grupos, o Decradi faz parte do Grupo de Trabalho da Segurança da Copa de 2014, que por sua vez montará um banco de dados com informações sobre os torcedores que se envolveram em situações de violência nos estádios brasileiros desde 2000.

Até o momento, foram identificados pela Decradi 200 membros de 25 gangues com nomes como Combate RAC (Rock Against Communism - rock contra o comunismo, em português) e Front 88 (o número 88, remete ao H, oitava letra do alfabeto, e à saudação nazista com dos HH: "Heil, Hitler"). Segundo declaração da delegada Margarette Correia Barreto, titular da Decradi e líder desse trabalho no Decradi, os skinheads, como se autodenominam vários dos integrantes dessas gangues, já deram origem a 130 inquéritos policiais. Mas, além da "faixa de Gaza" e dos "hooligans" nos estádio de futebol, a Decradi monitora os punks homofóbicos e os crimes de ódio na internet. No total, 40% de todas as ocorrências atuais da Decradi se referem a casos cibernéticos, envolvendo, ataques a negros, judeus e nordestinos, nessa ordem.