Ex-dono do banco Santos acusa administrador judicial de violar mansão

SÃO PAULO - O ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira entrou na Justiça de São Paulo contra o administrador judicial da massa falida do Banco Santos, Vânio Aguiar. Ele o acusa de se apropriar de bens que estavam em sua mansão, da qual foi despejado em janeiro por não poder pagar o aluguel.

Na petição, por meio de seus advogados, Edemar desafia o administrador a devolver seus computadores e que os abra diante de um perito do Instituto de Criminalística. Nas máquinas, estariam as imagens das câmeras de seguranças, que poderiam comprovar ainda o roubo de obras de arte da casa.

"Segundo relato do juiz da 1ª Vara de Pinheiros e perito nomeado para relacionar as obras de arte que estavam na residência, algumas obras teriam desaparecido, razão pela qual é de suma importância de que os gravadores do sistema de segurança sejam abertos na presença do perito de modo a primeiro evitar que ocorra a limpeza das imagens importantes durante o período do acesso do depositário fiel e em segundo para poder ser constatado se existiu efetivamente o desaparecimento de obras de arte e consumo de bens de propriedade do falido e de seus familiares", diz a petição.

 

Violações

Segundo os advogados de Edemar, quando assumiu os bens da casa da rua Gália, Vânio teria retirado três gravadores, rompendo os lacres do sistema de segurança, "a exemplo do que já havia feito nos computadores pessoais não só de Edemar como de toda sua família e funcionários".

Os advogados já haviam denunciado o administrador por violações na residência. Ele chegou a ser afastado por um juiz da 1ª Vara de Pinheiros, mas conseguiu uma liminar e retornou. A promotora do caso afirmou à época que Vânio autorizou a entrada de mais de 251 pessoas não identificadas na casa para uma festa, e que garrafas de vinho da adega haviam sido consumidas.

A petição protocolada nesta semana afirma ainda que o administrador judicial não relacionou quais foram os bens arrecadados e quais documentos foram retirados do local, solicitando que o juiz determine que isso seja providenciado.

 

Falência errada

Edemar alega que a decretação de falência do Banco Santos foi errada. "Eu tive que esperar esses anos todos em silêncio para me defender. Agora posso demonstrar, com ações, algumas ganhas em todas as instâncias, que foi um erro a decretação da falência do Banco Santos, assim como o despejo e outros atos que foram praticados contra mim e a minha família. A verdade não é minha. A verdade são os números que vêm demonstrando", disse.

"Só precisei ter paciência. Mas agora chegou a hora e eu defendo também os credores, que receberão tudo. Aliás, já estão recebendo", afirmou.