Mulheres da Via Campesina ocupam unidade da Braskem em Porto Alegre

Mulheres ligadas à Via Campesina e outros movimentos sociais urbanos ocuparam, na manhã desta terça-feira, parte de uma unidade da Braskem em Triunfo, região metropolitana de Porto Alegre. A manifestação, que faz parte da programação iniciada pelo grupo que antecipa o Dia da Mulher, apontou questões ambientais e sociais que envolvem a produção do plástico verde, realizada pela empresa no Estado.

A ocupação durou cerca de três horas e aconteceu de forma pacífica. Segundo a assessoria de imprensa do movimento, cerca de mil mulheres participaram da manifestação, que denunciava "que o plástico verde, produzido à base de cana-de-açúcar, é tão nocivo e poluidor quanto o plástico fabricado à base de petróleo". No entanto, de acordo com a polícia e a própria Braskem, seriam cerca de 400 mulheres que ocuparam o pátio do estacionamento da empresa.

Sobre as denuncias feitas contra o aumento do cultivo de cana-de-açúcar no Estado para a fabricação de plástico verde na empresa, a Braskem, por meio de nota, informou que mantém "um compromisso com o meio ambiente, com iniciativas sustentáveis". A empresa ressaltou ainda que "durante o processo de desenvolvimento da cana-de-açúcar ocorre a captura de CO2. Para cada tonelada do biopolímero produzido, são capturadas 2,5 toneladas de CO2, contribuindo para redução do efeito estufa". No entanto, essa informação é rebatida pelo movimento, que afirma que a diferença do plástico verde para o normal está unicamente na matéria prima, já que ele é feito de etanol, mas que ele demora o mesmo tempo degradar-se no meio ambiente.

Depois da manifestação ocorrida na empresa, o grupo se dirigiu para o Palácio da Justiça em Porto Alegre, onde levantaram a questão da violência contra a mulher. Parte das manifestantes, que estavam vestidas de preto, permaneceu em silêncio em frente ao prédio.