Polícia de SP troca corregedor após vídeo de escrivã nua

 

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, removeu a delegada de polícia Maria Inês Trefiglio Valente da diretoria da Corregedoria Geral da Polícia Civil e a transferiu para os quadros da Delegacia Geral de Polícia Adjunta. O delegado Delio Marcos Montresor responderá pela Corregedoria Geral de Polícia. A troca de função ocorreu após a divulgação de um vídeo polêmico, que mostra policiais obrigando uma escrivã a ficar nua durante uma revista.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) determinou ontem a saída dos delegados lotados na corregedoria da Polícia Civil Eduardo Henrique de Carvalho Filho e Gustavo Henrique Gonçalves, após as imagens veiculadas pela TV Bandeirantes, que mostravam a policial nua durante uma revista após denúncia de extorsão. Eles aguardam pelos resultados de um processo administrativo e não exercerão mais seus cargos.

O vídeo foi gravado em 2009 após denúncia feita à corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, em junho daquele ano, por um homem que afirmou que a ex-escrivã teria pedido dinheiro para não incluí-lo em uma investigação sobre porte de munição. Ela foi considerada culpada no processo administrativo movido pela Polícia Civil e demitida em novembro de 2010.

O terceiro delegado que participou da diligência, segundo a SSP, Inzo Santi Barbin, não integra mais o departamento. A secretaria determinou ainda a instauração de um processo administrativo disciplinar para apurar a responsabilidade funcional de cada um, bem como do delegado Emílio Pascoal. Na época, ele era titular da divisão de Operações Especiais da corregedoria.

De acordo com o advogado da vítima, Fabio Guedes Garcia da Silveira, o vídeo completo tem duração de 40 minutos, mas a defesa não teve acesso ao material na íntegra, como o que foi divulgado na internet. "Em outubro de 2010 conseguimos acesso a uma cópia reduzida do vídeo (12 minutos). Não sabemos quem pode ter divulgado". Em nota, a corregedora-geral da Polícia Civil de São Paulo, Maria Inês Tresiglio Valente, condenou informações divulgadas pela imprensa sobre o caso. Ela afirmou que a reportagem ignorou "a tentativa de policiais femininas de revistarem a escrivã, ignorou gravações telefônicas com indícios fortes de prática de crime".

A corregedora disse também que o "suposto" abuso de autoridade foi apurado, conforme determinação do Ministério Público. Ainda de acordo com ela, o inquérito policial que contém a íntegra do vídeo, de 48 minutos, "foi arquivado por decisão judicial".