Júri ouve testemunhas de acusação no julgamento de morte de cacique guarani-kaiowá

O Tribunal do Júri que julga os acusados de assassinato do cacique guarani-kaiowá Marcos Veron começou a ouvir hoje (23) as testemunhas de acusação do processo. Ao todo, serão ouvidas cinco testemunhas, das quais três são indígenas.

O crime aconteceu em 2003 no município de Juti (MS), na região de Dourados. Segundo a Justiça, quatro homens armados ameaçaram, espancaram e atiraram em líderes indígenas, incluindo o cacique Veron, que tinha 72 anos. O caso foi transferido de Mato Grosso do Sul para São Paulo a pedido do Ministério Público Federal (MPF), que alegou ter dúvidas quanto à isenção dos jurados locais.

Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabralde respondem por tentativa de homicídio qualificado, por seis vezes, e Carlos Roberto dos Santos, por homicídio consumado, com motivo torpe e meio cruel. Eles respondem também por crime de tortura, sequestro e formação de quadrilha. Foragido, o acusado Nivaldo Alves Oliveira teve seu processo desmembrado e suspenso.

Segundo o MPF, a morte de Veron foi consequência de uma série de ataques feitos por seguranças da Fazenda Brasília do Sul para expulsar os índios que ocuparam a área. A propriedade é uma das muitas terras indígenas sob reivindicação dos guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul. O estado é apontado pelo Centro Indigenista Missionário (Cimi) como líder em violência contra a população indígena.

O Tribunal do Júri do Caso Veron começou na última segunda-feira (21) e é presidido pela juíza federal Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Atuam na acusação o procurador regional da República da 3ª Região Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, o procurador da República em Mato Grosso do Sul Marco Antônio Delfino de Almeida e os procuradores da República em São Paulo Rodrigo de Grandis e Marta Pinheiro de Oliveira Sena.