Médico diz que saída de Alencar da UTI está programada

O cirurgião gastroenterologista Raul Cutait, que integra a equipe que atende José Alencar, afirmou por volta das 15h35 desta segunda-feira que "está programada" a transferência do ex-vice-presidente da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um quarto comum no Hospital Sírio-Libanês, na região central de Sao Paulo. Cutait nao deu detalhes sobre data ou horário nem sobre o atual quadro clinico de Alencar.

Após ser liberado pelos médicos no dia 25 de janeiro, o político foi internado novamente na UTI Cardiologica na última quarta-feira, com quadro de peritonite localizada. Ele está "consciente, clinicamente estável e sendo submetido a tratamento medicamentoso", de acordo com o último boletim médico divulgado. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o quadro clínico segue inalterado. Os médicos descartam cirurgia.

Em quase uma semana de internação, Alencar recebeu visitas da presidente da República, Dilma Rousef; do padre Marcelo Rossi; do arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer; do rabino Henry Sobel; do presidente do PCdoB, Renato Rabelo; e do ex-deputado Albano Franco.

Luta contra o câncer 

José Alencar luta contra o câncer desde 1997, quando, após um check-up, foi encontrado um tumor no rim direito e outro no estômago, retirados naquele mesmo ano. Em 2000, uma nova cirurgia retirou um tumor na próstata. Depois da remoção de outros nódulos no abdome, Alencar foi diagnosticado com câncer no intestino.

Ao todo, ele foi submetido a 17 cirurgias nos últimos 13 anos. Em janeiro de 2009, Alencar enfrentou cerca de 17 horas de operação para a retirada de nove tumores na região abdominal. Na mesma cirurgia, os médicos retiraram parte do intestino delgado, outra do intestino grosso e uma porção do ureter, canal que liga o rim à bexiga. Alencar chegou a ficar internado 22 dias após a operação.

A última cirurgia ocorreu no dia 22 de dezembro, quando ele foi internado no Sírio-Libanês, em São Paulo, em caráter de urgência, com quadro de hemorragia digestiva grave. Recuperado, o agora ex-vice-presidente foi submetido a um procedimento para conter um sangramento intestinal causado por um tumor que invade o intestino delgado. No dia 30 de dezembro, após oito dias, Alencar foi transferido da UTI Cardiológica para um quarto comum.

Por conselho da equipe médica, José Alencar não viajou a Brasília para participar da cerimônia de posse da nova presidente da República, Dilma Rousseff, e descer a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi vice-presidente em seus oito anos de governo.

No dia 4 de janeiro, quando retomou o tratamento de quimioterapia contra o câncer, após cerca de dois meses, o ex-vice-presidente voltou para a UTI Cardiológica do Hospital Sírio-Libanês devido a um novo sangramento intestinal.

No dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, José Alencar recebeu uma homenagem da prefeitura da capital paulista. A presidente da República, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram da cerimônia. Logo após, o ex-vice-presidente foi liberado para os médicos para voltar para seu apartamento, no bairro Jardins. Ele retornou ao Hospital Sírio-Libanês na última quarta-feira (9) com quadro de peritonite provocada por perfuração intestinal. Os médicos descartaram nova cirurgia.