Senador petista contesta explicação sobre apagão no Nordeste

O senador Walter Pinheiro (PT-BA) contestou nesta quinta-feira a explicação do diretor de operações da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Mozart Bandeira Arnaud, que afirmou que o apagão que atingiu oito Estados do Nordeste nesta madrugada foi causado por falha no circuito eletrônico de uma subestação em Pernambuco. Segundo Pinheiro, falhas desse tipo "vão ocorrer sempre", o que cria a necessidade de criação de planos de contingência.

"Contesto e lamento a explicação de que uma falha num equipamento tenha produzido todo o apagão. Ora, um técnico do porte de Mozart sabe que falhas, defeitos e até acidentes vão ocorrer sempre", afirmou o senador, segundo sua assessoria de imprensa.

Para Pinheiro, a pior falha está na ausência de planos de contingência e sistemas alternativos para continuidade de serviços. "Esta foi a causa do apagão, pois, além da queda em uma usina, como efeito dominó, houve quedas em outras unidades, quando deveria ocorrer o contrário. O sistema atingido deveria ter sido isolado e sua 'base' de cobertura deslocada para atendimento e manutenção dos serviços por outras usinas", disse.

"Era melhor assumir esta falha, para corrigir, do que colocar a culpa em uma 'peça' que todos sabem que um dia vai falhar", criticou. Pinheiro ainda questionou o fato de sistemas cada vez mais sofisticados continuam "pecando no quesito antigo (de) 'rotas alternativas' com remanejamento automático".

Oposição

O apagão no Nordeste também teve grande repercussão entre parlamentares da oposição. O líder do DEM na Câmara Federal, deputado ACM Neto (BA), afirmou nesta sexta-feira que a grande causa do blecaute é, no fundo, de ordem política, e não técnica. "A causa maior do problema é o loteamento político dos cargos no setor elétrico nacional. Se tivéssemos pessoas técnicas e qualificadas para ocupar os cargos do setor, teríamos planos de contingência e reduziríamos em muito as chances de panes desse tipo ocorrerem", criticou.

Segundo ACM neto, essa é uma "oportunidade única" para a presidente Dilma Rousseff (PT) "mudar a política de indicações, privilegiando a competência técnica e não o 'padrinho político'". "É o momento de a presidente mostrar que tem pulso e só colocar técnicos competentes nos cargos estratégicos. Esse deve ser o único critério", afirmou.