Prefeito de Salvador fica cercado por manifestantes durante 7 horas

SALVADOR - Uma manifestação que reuniu estudantes, professores, agentes comunitários de saúde, profissionais de limpeza e vigilantes que prestam serviços à prefeitura de Salvador impediu a saída do prefeito João Henrique da Câmara Municipal, onde ele participou da cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, na tarde de terça-feira. Ele ficou "cercado" por 7 horas no local. Parte dos servidores foi demitida recentemente ou está com salários atrasados.

O chefe do Executivo chegou ao local às 11h, e não saiu nem para almoçar, possivelmente, para evitar o contato com os centenas de manifestantes. A cerimônia terminou por volta das 16h e João Henrique só conseguiu deixar o prédio por volta das 18h, por uma porta lateral.

Os servidores usaram faixas e apitos e tentaram entrar na casa legislativa, mas foram impedidos pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal.

O prefeito enfrenta uma série de protestos contra sua gestão, mergulhada em uma crise financeira e política. Os gastos de 2009 da prefeitura foram rejeitados pelo Tribunal de Contas dos Municípios.

Em seu discurso na Câmara, João Henrique falou do problema de administração das finanças do município, o qual chamou de "crônico e histórico". Ele argumentou ainda que a situação é motivada por Salvador ter "o penúltimo PIB per capita entre as capitais, o penúltimo orçamento e a maior densidade demográfica".

O prefeito também justificou a falta de grandes investimentos na cidade. "Até agora pagamos R$ 1 bilhão de dívida, e não pudemos contrair outras para investir na cidade".  A crise na gestão de João Henrique chegou na internet. Através de redes sociais, como Twitter, Orkut e Facebook, cidadãos articulam campanhas que pedem o impeachment do prefeito.