Seca faz Rio Grande decretar situação de emergência

 

O prefeito de Rio Grande, Fábio Branco (PMDB), decretou situação de emergência na área rural do município nesta terça-feira por causa da estiagem. A seca que se abate sobre a cidade já está resultando em perdas significativas no setor primário, com fortes impactos nas lavouras, na bacia leiteira e na pecuária. O documento, que autoriza o desencadeamento do Plano Emergencial de Respostas aos Desastres, após adaptado à situação real da estiagem, ainda não foi recebido pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul.

Para tomar a decisão, o prefeito levou em consideração os laudos técnicos apresentados pelas secretarias municipais. A falta de chuvas tem causado inúmeros prejuízos aos agricultores e dívidas financeiras. Desde o começo de dezembro de 2010, equipes da secretaria municipal da Agricultura (Smag) de Rio Grande auxiliam os produtores rurais atingidos pela estiagem. Os servidores da Smag estão efetuando a abertura de poços na zona rural da cidade para a amenizar a situação.

Perdas estimadas em R$ 150 milhões

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul recebeu ontem a Notificação Preliminar de Desastre (Nopred) dos municípios de Jaguarão e Rosário do Sul, que devem decretar situação de emergência devido à estiagem ainda nesta semana. Até o momento, 15 cidades já decretaram situação de emergência e as perdas da produção agropecuária são estimadas em mais de R$ 150 milhões.

A seca já era esperada na região pela formação do La Niña - fenômeno de resfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico -, que segundo o Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), era previsto desde junho de 2010. O fenômeno deve estar presente até 2012.

Para amenizar a seca, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome afirmou que prepara um edital para construir 6 mil cisternas no Rio Grande do Sul. Cerca de R$ 20 milhões serão destinados pelo governo federal para obras emergenciais nos municípios vítimas da seca. Atualmente, o governo estadual usa 10 caminhões-pipas para abastecer as regiões atingidas.

Solução é obras do Nordeste

Na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff (PT) disse que os municípios gaúchos que enfrentam seca desde vão ganhar um sistema de irrigação semelhante ao do sertão do Nordeste. Para Dilma, a região vai combater novos períodos de estiagem através de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O objetivo é ampliar a segurança hídrica dos municípios para futuras faltas de chuva.

"Eu acredito que a interligação de bacias seja talvez um dos maiores programas que o Brasil fez para o semi-árido. Nós temos que ter, obviamente mudando a dimensão e a forma de solução, esse programa para a metade sul do Rio Grande do Sul, que tem áreas desertificadas", disse Dilma.