Advogado confirma que pediu liberdade condicional para Cacciola

O advogado Manuel de Jesus Soares confirmou nesta terça-feira que pediu a liberdade condicional do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que cumpre pena de 13 anos por crimes financeiros. Segundo o advogado, a solicitação de livramento condicional foi encaminhada ontem à Vara de Execuções Criminais do Rio de Janeiro.

Cacciola está preso em Bangu 8, na zona oeste do Rio, desde julho de 2008 e, de acordo com o advogado, é réu primário e apresenta bom comportamento na prisão, o que garantiria o benefício de comutação da pena (progressão de regime). "Ele já cumpriu um terço da pena (três anos e cinco meses), com isso ele têm direito de pedir o livramento condicional", disse Soares.

O advogado informou que acredita que ele tem condições de receber o benefício, mas disse que a decisão deve demorar. "Isso passa pelo Ministério Público ainda, não é uma coisa que acontece em alguns dias", afirmou.

No dia 27 de janeiro, a Justiça do Rio concedeu a progressão para o regime semiaberto ao ex-banqueiro.

O caso

Cacciola foi condenado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro em 2005. Ele já tinha tido a prisão preventiva decretada em 2000 e chegou a ficar 37 dias preso naquele ano, até ser beneficiado por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). Logo depois de solto, Cacciola foi para a Itália, país que não pode extraditar seus nacionais para o Brasil.

Cinco anos depois, a Justiça do Rio decretou novamente sua prisão. Em setembro de 2007, o ex-banqueiro foi preso por agentes da Interpol durante uma viagem de lazer ao Principado de Mônaco. Em julho de 2008, Cacciola foi extraditado para o Brasil e passou a cumprir pena no Rio de Janeiro.

Quando foi condenado, Cacciola era dono do Banco Marka. A instituição estava alavancada (ou seja, tinha comprometido um valor superior ao seu próprio patrimônio líquido em contratos futuros de câmbio). Por conta disso, ela quebrou na maxidesvalorização do real ocorrida em 1999 e acabou recebendo socorro financeiro do Banco Central.