Temer diz que quer composição "suave e amigável" no governo

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), declarou nesta sexta-feira, em Porto Alegre (RS), que trabalhará para que o governo federal faça uma composição "suave" e "amigável" com os partidos aliados. De acordo com Temer, a gestão da presidente Dilma Rousseff (PT) será pautada por "muito diálogo" e "negociações", não só com o PMDB, mas com todos os aliados.

"Nós vamos conversando, ajustando as coisas. Às vezes, os partidos fazem as críticas justamente com o objetivo de melhorar as propostas", afirmou. De acordo com Temer, o PMDB se manterá fiel à administração de Dilma, já que agora é governo, e não apenas um aliado.

Sobre as constantes reclamações de diferentes aliados de que o PT estaria ocupando muito espaço no governo, Temer disse que é natural que cada partido queira ter o maior espaço possível. Ele também afirmou que o partido não teme uma eventual do comando da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). "Não há essa preocupação do PMDB. A liderança do partido, o deputado Henrique Eduardo Alves (líder do PMDB na Câmara) esteve com o ministro (da Saúde, Alexandre) Padilha", disse.

Questionado se o PMDB está satisfeito com seu espaço dentro do governo, Temer disse que sim. Ele admitiu que os ministérios que ficaram com a legenda têm um "menor peso", mas ressalvou que a postura é de colaboração.

Em Porto Alegre, Temer proferiu a conferência de encerramento do Encontro Brasileiro de Legislativos - O Brasil que Saiu das Urnas, promovido pelo Instituto Municipalizar em conjunto com uma série de parceiros. O evento foi realizado na Assembleia Legislativa gaúcha, onde o vice-presidente também recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha, a mais alta distinção concedida pelo poder Legislativo do Estado.

Após o evento, Temer reuniu-se rapidamente com deputados federais de seu partido, ainda na Assembleia, e seguiu para o Palácio Piratini, onde almoçou com o governador Tarso Genro (PT), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo - que também cumpre agenda no Rio Grande do Sul -, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), e outros políticos do Estado, como os ex-governadores Alceu Collares (PDT) e Germano Rigotto (PMDB).

A passagem do vice-presidente pela capital gaúcha - a primeira desde a eleição - foi marcada por um forte esquema de segurança tanto na Assembleia como no palácio do governo. Na Assembleia, localizada no centro da cidade, dezenas de seguranças trancaram acessos por onde a população costuma circular livremente, causando estranheza até entre deputados e assessores. Para se deslocar ao Piratini (cujo percurso inclui apenas a travessia da rua Duque de Caxias), Temer optou por usar um carro. No Palácio foi instalada na entrada principal uma porta com detector de metal, apesar de o vice ter ingressado por outro acesso e permanecido na ala residencial, separada da ala principal por amplos jardins.