Diretor de hospital, prefeito e sobrinho são indiciados em Goiás

GOIÂNIA - O delegado de polícia da cidade de Jussara, Humberto Teófilo de Menezes Neto, indiciou nesta terça-feira o diretor clínico do Hospital Municipal de Santa Fé de Goiás (269 Km de Goiânia), Afrânio José de Souza, o prefeito da cidade, Gilmar Batista Teixeira (PP), a secretária municipal de Saúde Nísia Alves Salgado, além de João Batista Teixeira Júnior, falso médico que trabalhava na unidade de saúde.

Eles são acusados de exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica,estelionato e formação de quadrilha. João Batista, um estudante de Medicina sobrinho do prefeito Gilmar Batista, já havia sido preso em flagrante há cerca de dois meses, ao ser investigado após denúncia que o acusava de ter assinado uma receita com dosagem errada de um remédio contra alergia para uma criança de seis anos.

Conforme a investigação da polícia, João Batista atendeu pacientes irregularmente na unidade de saúde nos meses de setembro e novembro. Segundo o delegado, o estudante atuava com a conivência de todos os outros indiciados. "Ele assinava receitas e pedidos de exames, o que é proibido para estudantes como ele, sem supervisão", explicou. O inquérito ainda indica que João inseria declarações falsas na confecção de atestados médicos.

O prefeito Gilmar Batista, que também é médico, nega que haja algo irregular no caso. Segundo ele, o sobrinho é formando no Curso de Medicina em uma universidade de Minas Gerais, a Faculdade Atenas, em Paracatu, e trabalha no hospital como estagiário. Ele diz ainda que o sobrinho era monitorado pelo diretor Afrânio José em suas atividades. "É tudo legal, documentado. O Hospital tem um convênio com a Faculdade, que lhe permite trabalhar, disse ao portal Terra. Para o prefeito, o caso tem conotação política, e é fruto de perseguição. "O pai do delegado é de um grupo adversário nosso na cidade", afirmou.