Cartas de Prestes confirmam influência da URSS contra Vargas

SÃO PAULO - Manuscritos de Luiz Carlos Prestes (1898 - 1990) guardados em Moscou em 1935, poucos meses antes da Intentona Comunista no Brasil, demonstram a influência soviética nos planos do político comunista de derrubar o governo Getúlio Vargas, de acordo com informações publicadas pelo jornal Folha de São Paulo. Em outubro deste ano, o governo russo começou a transferir esses documentos da 3ª Internacional Comunista para o Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

Nos documentos, Prestes revela o objetivo de "mobilizar as mais amplas massas contra o imperialismo e o feudalismo" por meio de aumento de salários e desarmamento dos fascistas. Ele diz ser "urgente" o envio de um agente soviético para o Brasil e relata a fragilização de Vargas diante da "ofensiva do proletariado" e de empregados do governo por melhora de salário.

Prestes prevê que Vargas aprovaria uma "nova lei contra os 'extremistas'" diante da pressão dos trabalhadores, o que se efetivou com a Lei de Segurança Nacional, que criminalizou as greves do funcionalismo público e a propaganda subversiva.

As cartas também demonstram o alinhamento de Prestes à política soviética de estímulo a frentes populares de combate ao fascismo - o que, no Brasil, segundo Prestes, viria com o apoio das massas à Aliança Nacional Libertadora (ANL), possibilitando a criação de um "governo revolucionário provisório". Prestes seria preso em 1936, um ano antes do início da ditadura do Estado Novo.