Líderes partidários e governo discutem reajuste do salário mínimo

 

O aumento do salário mínimo foi um dos principais temas da reunião do Conselho Político de hoje (17), no Palácio do Planalto. Na reunião, da qual participaram líderes partidários da base do governo e ministros, o relator do Orçamento de 2011 e líder do PTB no Senado, Gim Argelo (DF), demonstrou a preocupação de que qualquer percentual de reajuste concedido este ano acumule com o aumento do próximo ano e que isso pese sobre a Previdência Social.

“Tem margem para aumentar um pouquinho o salário mínimo. Mas é certo fazer isso? Porque se a gente aumentar para R$ 560 ou R$ 570 este ano, no próximo, vai bater em R$ 700. Tem estados que alegam que não conseguem arcar com a Previdência”, explicou o relator. “Quem tem que ver isso é o ministro da Previdência. Ele me pediu para segurar em R$ 540 por enquanto.”

O líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), também demonstrou preocupação com qualquer proposta que gere aumento de gastos para o próximo ano. Segundo ele, a situação da economia internacional ainda é instável e isso deve ser observado nos projetos que serão votados no Congresso Nacional.

“A situação internacional ainda não está muito clara por conta do câmbio. Então, nós temos uma preocupação muito grande na Câmara em não deixar que seja aprovada nenhuma proposta ou matéria que aumente significativamente os gastos para o próximo ano e vá criar problemas para a Dilma”, alegou o líder.

Já o líder do PR, deputado Sandro Mabel (PR-GO), lembrou que a população fica “mais exigente” a cada aumento do salário mínimo, pressionando a economia com um consumo mais elevado. Mabel disse que é sempre a favor do aumento do mínimo, mas ressaltou que é preciso dosar o reajuste para não tirar a capacidade de a população poupar.

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que o governo vai manter sua política de valorização do salário mínimo. Segundo ele, está mantido o valor de R$ 540 para o próximo ano e não haverá aumento maior, nem na margem de R$ 570 apontada como possível pelo relator do Orçamento. “Esse é um valor que foge do que é a política de valorização do mínimo. O governo não vai ceder em manter os índices dessa política”, afirmou o ministro.