Ministro quer mais de um Enem ao ano e diz que nota sai em janeiro

Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad, garantiu nesta terça-feira (16) que mesmo com a aplicação de um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para os estudantes prejudicados na prova deste ano, os resultados serão divulgados na data inicialmente prevista, a 1ª quinzena de janeiro de 2011. Além de defender a realização de mais de um Enem ao ano, o ministro adiantou que o MEC avalia a possibilidade de a nota do Exame ter dois anos de validade. "O aluno estaria desonerado de fazê-lo todo ano". Mas destacou que para 2010 a validade continua a ser de um ano.

Algumas folhas de resposta das provas aplicadas nesta última edição do exame continham erros, gerando reclamações dos estudantes. Ao participar de uma audiência na Comissão de Educação e Cultura do Senado, o ministro afirmou que o direito dos estudantes prejudicados estará assegurado.

Segundo Haddad, a falha identificada em 2010 ocorreu por "excesso de sigilo" da gráfica. No ano passado, o Enem vazou, provocando o cancelamento da prova e sua reaplicação em outra data.

A data oficial para aplicação de um novo exame para os estudantes que se sentiram prejudicados este ano deverá ser anunciada até o final desta semana ou no início da próxima, segundo o ministro.

Quanto a aplicação de mais de um Enem por ano, Haddad considerou que isso causaria menos angústia ao aluno. "Se nós tivermos mais de uma edição, teremos menos atropelos, mais parceiros, mais empresas interessadas em trabalhar com o sistema público", afirmou o ministro, destacando que mais empresas poderão se habilitar para participar do processo, já que o número de inscritos em cada prova será menor.

Haddad lembrou que o MEC estava se preparando para realizar uma prova em abril ou maio antes do vazamento do exame no ano passado. E que, após o episódio, foi necessário esperar a finalização das investigações feitas pela Polícia Federal para só então retomar as negociações com as instituições Cespe e Cesgranrio para a aplicação da prova deste ano. "Naquela ocasião manter a primeira prova, seria temerário".

O ministro descartou a sugestão da tucana Marisa Serrano (MS) de regionalizar o exame, dizendo que isso exigiria a criação de um banco de dados em um processo que levaria vários anos.

Defesa

Dos senadores de oposição, o ministro ouviu muitas críticas. A senadora Marisa Serrano falou em "descaso" com os alunos e reclamou da demora do MEC em dar uma resposta aos estudantes sobre a falha verificada este ano. O também tucano Álvaro Dias (PR) classificou as falhas de "injustificáveis" e "simplistas".

O ministro rebateu dizendo que nenhum sistema está imune a problemas técnicos e que não se pode colocar a reputação das instituições em dúvida em função de um equívoco. "Ninguém ouviu da parte do Ministério nenhuma acusação a incompetência do setor grafico. Há a compreensão de que elas fizeram o seu melhor".

Segundo Haddad, nas 14 edições do Enem não houve uma única vez que não foram enfrentados problemas técnicos dessa natureza. "Sempre que há um problema há uma solução cabível que não seja o cancelamento da prova".