Haddad pede punição para erro no Enem, mas defende instituições

BRASÍLIA - Em depoimento na Comissão de Educação e Cultura do Senado, o ministro da Educação, Fernando Haddad, cobrou nesta terça-feira que os indivíduos responsáveis pelas falhas registradas durante a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sejam punidos, mas que as instituições responsáveis pelas provas sejam preservadas.

“Indivíduos vão e vêm. As instituições não se recuperam. Precisam ser preservadas. Precisam ser olhadas à luz de sua história e do compromisso com a sociedade brasileira”, disse, durante audiência no Senado. “Estamos fazendo tudo o que nos cabe para superar essas questões pontuais”, acrescentou.

Haddad lembrou que há 14 anos o Enem é promovido pelas mesmas instituições – o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável por todo o Exame, além do Cespe e da Cesgranrio, responsáveis pela elaboração e aplicação das provas, e os Correiros, que fica com a parte de distribuição.

Em relação às gráficas que imprimiram os cadernos, o ministro avaliou que existem, no país, somente duas empresas qualificadas para o Enem – as que foram contratadas no ano passado e este ano, respectivamente. Nenhuma instituição, de acordo com o ministro, está imune a falhas técnicas.

“Não podemos colocar a reputação dessas empresas em dúvida em razão de um equívoco. Essas instituições fizeram seu melhor e continuam preparadas para o desafio. Nas edições do Enem, não houve uma única em que não tivéssemos que enfrentar um problema técnico dessa natureza. Sempre há uma solução cabível que não o cancelamento da prova”, destacou.

Para Haddad, é preciso superar a prática do vestibular tradicional, que obriga o aluno a pagar taxas de inscrição elevadas, a se deslocar pelo território nacional para fazer as provas e a usar sua nota especificamente para uma instituição. “Estou convencido de que não há outro caminho a seguir, não há alternativa a não ser insistir, [mesmo] com todos os problemas a enfrentar”, afirmou.

 

Mais de um Enem por ano

Haddad também defendeu nesta terça-feira a realização de mais de um Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no mesmo ano. "Vai ser bom o aluno fazer mais de um exame por ano, vai gerar menos angústia", disse, ao participar de reunião na Comissão de Educação e Cultura do Senado.

"Se nós tivermos mais de uma edição, teremos menos atropelos, mais parceiros, mais empresas interessadas em trabalhar com o sistema público", afirmou o ministro, dizendo que mais empresas poderão se habilitar para participar do processo, já que o número de inscritos em cada prova será menor. "Esse modelo (do Enem) não se sustenta com uma só prova ao ano".

Haddad lembrou que o Ministério da Educação (MEC) estava se preparando para realizar uma prova em abril ou maio antes do vazamento do exame no ano passado. E que, após o episódio, foi necessário esperar a finalização das investigações feitas pela Polícia Federal para só então retomar as negociações para a aplicação da prova deste ano. "Naquela ocasião manter a primeira prova, seria temerário".

Este ano, um erro em algumas folhas de respostas gerou reclamações de estudantes. O ministro negou que a credibilidade do Enem tenha sido abalada pelas falhas e as classificou de "superáveis".

Ao responder os questionamentos da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), o ministro da Educação negou que tenha tratado com descaso os alunos prejudicados pelos problemas no Enem deste ano. Ele garantiu que respeita os direitos de todos os estudantes e que, mesmo com a realização de novas provas para parte dos candidatos, o cronograma original do exame será respeitado.

Haddad também esclareceu que, ao dizer que não houve culpa do Inep nas falhas do Enem, referia-se ao fato de a própria gráfica que imprimiu as provas ter assumido total responsabilidade pelo erro num dos cadernos de questões. O ministro ressaltou, porém, que outras possíveis falhas serão investigadas.

 

Isonomia

A repetição de provas apenas para os alunos prejudicados por erros da impressão de provas no último exame do Enem não afeta a isonomia do exame. A afirmação é do ministro da Educação, Fernando Haddad, em audiência pública neste momento na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

De acordo com o ministro, os problemas do exame neste ano afetaram apenas 0,1% dos inscritos. A esses alunos prejudicados será assegurado o direito de fazer uma nova prova, sem que isso quebre a igualdade de condições para o conjunto de inscritos.

Conforme ressaltou, essa sistemática do Enem - de repetição de provas para parcela dos inscritos - é utilizada em exames mundialmente reconhecidos, como o Toefl e o SAT. A isonomia seria garantida pela utilização da metodologia da Teoria da Resposta ao Item (TRI).

Haddad fez uma retrospectiva dos 14 anos de aplicação das provas do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio). Segundo ele, o Enem ganhou a dimensão atual quando passou a ser utilizado como instrumento de seleção para o ProUni. "A partir daí, nós quadruplicamos o número de inscritos", frisou o ministro.

 

Críticas ao vestibular tradicional

No início de seu depoimento na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado, nesta terça-feira, o ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que classificou como "um projeto muito importante para a educação brasileira, que deve ser preservado".

Haddad afirmou que o ensino médio sofre com uma série de problemas, entre os quais o vestibular, que vem sendo substituído em parte pelo Enem. Segundo ele, o Brasil é o único país que ainda convive com o vestibular tradicional, "um sistema irracional de seleção dos estudantes que ingressam na educação superior".