Polícia indicia 12 pessoas por fraude em licitação do governo do MT

 

A Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Administração Pública indiciou na última sexta-feira doze pessoas por fraude em licitação, corrupção passiva e formação de quadrilha no inquérito policial que investiga fraude de R$ 44 milhões na compra de 705 caminhões e maquinários do programa "MT 100% Equipado" do governo de Mato Grosso.

Os bens teriam sido comprados por valores 22% acima do preço de mercado, conforme relatório da Auditoria Geral do Estado. O ex-secretário de Infraestrutura Vilceu Marcheti e o ex-titular da secretaria de Administração Geraldo de Vitto Junior pediram demissão no mês de maio após as denúncias.

Das doze pessoas indiciadas, três são servidores da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) e nove empresários que venderam os maquinários ao Estado. O inquérito foi entregue na sexta-feira ao Ministério Público Estadual. Foi aberto no dia 28 de abril de 2010 e passou 60 dias suspenso pela Justiça.

Segundo investigações da polícia, ocorreu fraude no processo licitatório e os bens adquiridos foram entregues de acordo com o edital, havendo irregularidades apenas nos pneus. O inquérito está sob segredo de justiça e tem mais de 5 mil páginas. Foram ouvidas 46 pessoas nos autos e juntado uma série de documentos.

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) finalizará nos próximos 21 dias a perícia em maquinários de 38 municípios que restam. A delegada Alana Cardoso enfatiza que a Polícia Civil, por meio das delegacias do interior, já havia vistoriados os equipamentos de 125 municípios. "Não vimos necessidade de esperar", frisa. "A demora maior foi para analisar documentos e estudar as provas", concluiu.

A Delegacia Fazendária dividiu a investigação em três fases: o primeiro inquérito nº51/2010 foi enviado ontem ao MP. O segundo - nº 63/2010 -, foi instaurado para apurar suposta fraude de caminhões e máquinas para formação das patrulhas rodoviárias, na licitação 059/2007. Este último encontra-se em fase adiantada e aguarda relatório da Auditoria do Estado. A terceira fase da investigação vai investigar indícios de lavagem de dinheiro e o inquérito ainda será aberto.