Promotor diz que está evidente que Tiririca forjou documento de escolaridade

Deputado federal mais votado do país ficou mais de 13 horas no TRE-SP para um teste de alfabetização

SÃO PAULO - Após o término da audiência no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, em que o deputado federal eleito Tiririca (PR) foi submetido a um teste para comprovar sua alfabetização, o promotor do Ministério Público Eleitoral (MPE) Maurício Antonio Ribeiro Lopes disse que vai entrar com um mandado de segurança no TRE. Ele afirmou que vai pedir a produção de novas provas - documentais e periciais - para apurar se o palhaço forjou o atestado de escolaridade exigido pela Justiça Eleitoral.

O promotor disse que está evidente o crime de falsidade ideológica: "do meu ponto de vista, está caracterizado que o documento foi produzido de modo fraudatório". Sobre a prova, Lopes disse que, "quantitativamente e qualitativamente não houve satisfação do conceito de alfabetizado. Pelo menos alfabetizado funcional". Ele afirmou ainda que consultou a jurisprudência e, em situações análogas, seria considerado alfabeto se ele acertasse 30% de um texto: "eu não vi isso".

Ao deixar o tribunal, por volta das 21h45, Tiririca segurava um cartaz com os dizeres "Animal não é brinquedo, tem fome, tem dor, tem medo. Não abandone seu animal". Eleito deputado federal com 1,3 milhão de votos, ele afirmou que vai "lutar por esse projeto". O político não quis comentar a prova. Ele saiu pelo estacionamento e fez apenas um sinal de positivo.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), o desembargador Walter de Almeida Guilherme, afirmou que o deputado eleito leu e escreveu durante teste e que vai ser diplomado. "Ele vai ser diplomado em dezembro e se ficar demonstrado que é analfabeto, ele pode ser impugnado. Mas ainda há duvida jurídica sobre isso". Se ficar comprovado que Tiririca é analfabeto, o processo vai para o Supremo Tribunal Federal.

Candidato a deputado mais votado em todo o país, Tiririca é alvo de uma ação penal aberta para investigar se houve falsificação em sua declaração de escolaridade. Em sua defesa, ele alegou que teve a ajuda de sua mulher para fazer a declaração de próprio punho entregue à Justiça Eleitoral ao registrar a candidatura. O humorista afirmou sofrer de problemas motores que o impedem de segurar uma caneta com firmeza. O Ministério Público Eleitoral consultou peritos, que apontaram "artificialismo gráfico" no documento.

Em audiência no TRE, Tiririca realizou um teste de alfabetização. Durante o exame, o deputado eleito teve que ler em voz alta notícias escritas nas duas primeiras páginas de um jornal e, depois, escreveu um ditado de uma passagem do livro "Justiça Eleitoral - uma retrospectiva". Ele teve que escrever: "A promulgação do Código Eleitoral em fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral".