SP: falsa médica é presa; polícia apura morte de bebê em parto

SÃO PAULO - Duas pessoas foram presas em flagrante por estelionato e exercício ilegal de medicina em São Paulo. Elas são acusadas de realizar atendimentos médicos e partos, sendo que um deles terminou com a morte de um recém-nascido. A dupla trabalhava em uma clínica localizada na rua Doutor Galvão Guimarães, em São Mateus, Zona Leste da capital. As prisões foram divulgadas na terça-feira pela Secretaria de Segurança Pública (SSP).

O crime foi descoberto depois que uma guarda civil metropolitana, que está grávida, passou mal e buscou atendimento na clínica. Ela foi recebida pela atendente V.P.G.F., 59 anos, que se identificou como médica. Após examinar a paciente, ela prescreveu um medicamento e pediu para outra funcionária aplicá-lo. A guarda solicitou um atestado, que foi fornecido com o carimbo de um médico que não a atendeu. Questionada, a suposta médica disse ser enfermeira-obstetra e não ter habilitação para fazer prescrições médicas.

A Polícia Militar foi chamada e encaminhou os envolvidos à delegacia, onde a acusada afirmou que recebeu, por telefone, orientações de um médico para a prescrição dos remédios. A vítima negou que ela tenha falado ao telefone durante a consulta. A acusada, que não portava nenhum documento, disse não se lembrar de possuir inscrição no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e que só estudou até a oitava série.

O médico E.S., 52 anos, que teria contratado a falsa médica, confirmou as informações. Após consultas, foi constatado que havia um boletim de ocorrência de morte suspeita, registrado em 25 de outubro deste ano, sobre a morte de um recém-nascido na clínica. O pai da criança, um ajudante de 34 anos, compareceu à delegacia e reconheceu V. como sendo a médica que realizou o parto de seu filho, juntamente com outras duas mulheres.

O médico e a atendente foram presos em flagrante. O caso foi registrado no 69º DP, onde o delegado responsável determinou a abertura de dois inquéritos - um para investigar a clínica e outro para investigar o exercício ilegal da medicina e a morte do recém-nascido.