Congresso pretende aumentar o próprio salário e o de Dilma

BRASÍLIA - Deputados e senadores pretendem apresentar proposta de reajuste dos próprios salários e dos vencimentos da presidente eleita, Dilma Rousseff. O "pacote de bondades" planejado pelos parlamentares ocorre no momento em que Dilma orientou sua equipe de transição a tentar barrar no Congresso reajustes para o funcionalismo que impliquem em rombo no Orçamento de 2011.

Os congressistas alegam que os salários do Executivo e do Legislativo estão sem aumento há cerca de três anos e que a inflação no período foi de 17,8%. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Na tentativa de diminuir o desgaste político decorrente do possível aumento, os deputados e senadores defendem a vinculação do reajuste do Legislativo ao de Dilma e dos demais ministros de Estado. O salário bruto de presidente da República é atualmente de R$ 11.420,21 (com os descontos, o valor cai para cerca de R$ 8 mil).

O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) defende a equiparação do salário de Dilma ao teto do funcionalismo público (R$ 26.723,13), pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). "O valor pago ao presidente é um absurdo. Tinha que ser igual ao pago aos ministros do STF. Temos que deixar de ser hipócritas e equiparar os valores", disse o parlamentar, que reivindica que os deputados e senadores também ganhem esse teto.

O reajuste dos salários dos deputados federais provoca efeito cascata no Legislativo de todo o país porque a remuneração dos deputados estaduais e vereadores está vinculada à dos colegas do Congresso. Pela Constituição, o deputado estadual pode receber até 75% do salário do federal. Já os vereadores, entre 20% e 75% dos salários dos deputados estaduais.