AL: PM aumenta ronda para evitar assassinatos de moradores de rua

Desde o início do ano, 30 moradores de rua já foram mortos em Maceió

MACEIÓ - A Polícia Militar de Alagoas informou que vai intensificar as rondas em locais com concentração de moradores de rua para evitar mais casos de assassinatos. Desde o início do ano, 30 moradores de rua de Maceió e um de Arapiraca, agreste alagoano, foram mortos com requintes de crueldade: facadas, pauladas ou tiros. Apesar da promessa, a PM não disse quantos PMs serão colocados para "proteger" os moradores.

Os crimes se arrastam desde maio. Há duas semanas, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, ligada à presidência da República, enviou representantes ao estado exigindo soluções para o caso. Até o arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz, escreveu uma carta às autoridades públicas alagoanas e incentivou os padres da capital a citar, nas missas, os casos dos moradores assassinados.

A Força Nacional enviou na semana passada 140 profissionais para ajudar na conclusão de crimes de homicídios ocorridos desde 2007. Na lista, a Secretaria de Defesa Social quer incluir os assassinatos dos moradores.

Dados do censo do IBGE indicam que Maceió tem 312 moradores de rua, 60 deles são crianças. A Secretaria Municipal de Assistência Social contesta os dados. Os números apontam entre 250 e 300 pessoas. Dos 31 assassinados, 17 eram cadastrados pela secretaria- e considerados moradores de rua. "Às vezes as pessoas trabalham na rua, mas não dormem lá, têm casa para morar", disse o secretário Francisco Araújo.

Pelo mapeamento realizado pela secretaria, a maior concentração de moradores de rua está na parte mais rica da capital: a orla. E 50% deles são do interior ou de outros estados nordestinos, como Pernambuco e Bahia. Ano passado, 100 ganharam casas. Outros 130 foram mandados aos locais onde nasceram.

"Não há grupos de extermínio em Maceió, temos o cadastro destes moradores, o controle sobre isso. Estamos dobrando a capacidade de um albergue que temos", disse.