Governo de São Paulo decreta luto de três dias por morte de Tuma

O Governo do Estado de São Paulo decretou luto de três dias pela morte do senador Romeu Tuma (PTB). Segundo a assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes, a decisão será publicada amanhã no Diário Oficial.

O governador Alberto Goldman (PSDB) declarou, em nota, lamentar a morte do político. "É uma grande perda para a política brasileira. Sua trajetória no Senado Federal é prova da sua dedicação a causa pública, sempre defendendo os interesses de São Paulo. Quero expressar à família nossas condolências", escreveu.

Romeu Tuma morreu às 13h de hoje, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por falência múltipla dos órgãos. Ele estava internado desde o dia 1º de setembro para tratar um quadro infeccioso de afonia (perda ou diminuição da voz). Além de exigir cuidados médicos, o problema impediu Tuma de fazer campanha nestas eleições. O candidato ficou em quinto na disputa pelo Senado em São Paulo e não se reelegeu.

Morte após internação

No dia 2 de outubro, o senador foi submetido a uma cirurgia para colocação de um dispositivo de assistência ao coração chamado Berlin Heart. O dispositivo auxiliava a regular a pressão e circulação sanguínea do paciente.

Paulistano, Romeu Tuma completou 79 anos no último dia 4 de outubro e foi investigador e delegado da Polícia Civil do Estado antes de ingressar na política. Casado com a professora Zilda Dirane Tuma, deixa quatro filhos e nove netos.

Bacharel em direito pela PUC, Tuma entrou na polícia por meio de concurso, com 20 anos. Foi diretor de Polícia Especializada, na Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Assumiu a Superintendência da Polícia Federal em 1983 e assumiu também os cargos de Secretário da Receita Federal e da Polícia Federal. Na Receita, instituiu a recepção de declarações do Imposto de Renda por meio digital.

Foi Assessor Especial do Governador de São Paulo entre 1992 e 94, tendo a sua primeira eleição neste ano. Eleito senador por São Paulo, pelo PFL, teve mais de 5,5 milhões de votos e se afastou do Poder Executivo para cumprir seu primeiro mandato.

Nas eleições de 2000, tentou a prefeitura de São Paulo e foi o quarto candidato mais votado. Em 2002, se elegeu novamente senador por São Paulo. Filiado ao PTB desde 2007, tentou a reeleição neste ano.

Tuma foi o primeiro Corregedor Parlamentar da história do Senado Federal. No Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, teve papel de destaque na primeira cassação de um mandato de Senador no Brasil e na renúncia de outros dois parlamentares que seriam cassados. Após esse episódio, foi indicado pelo Conselho para ser coordenador da Comissão Especial de Inquérito, que resultou na renúncia do então Presidente da Casa.

O senador integrava a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, e foi eleito vice-presidente da Comissão de Assuntos Interiores, Segurança e Defesa.

De seus quatro filhos, dois seguiram o caminho da política. Robson, o mais novo, foi reeleito em 2002 para seu quarto mandato como deputado federal. Romeu Tuma Júnior também ingressou na polícia e, em 2002, se elegeu deputado estadual por São Paulo. Seus outros dois filhos seguiram a área da saúde. Rogério é médico neurologista e oncologista e Ronaldo cirurgião dentista.