"Eliza está viva em SP e acabando com a minha vida", afirma Bruno

O goleiro Bruno Fernandes de Souza afirmou nesta tarde que a sua ex-amante Eliza Samúdio não foi assassinada. "A Eliza está viva em São Paulo. Ela está acabando com a minha vida e eu estou sofrendo muito por isso", disse o ex-jogador do Flamengo na saída da audiência sobre o desaparecimento de Eliza no Fórum de Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte. Luiz Henrique Romão, o Macarrão, outro suspeito do desaparecimento, confirmou a versão de Bruno: "Ela falava muito que queria acabar com a vida do Bruno. Ela quis acabar com o Bruno e acabou com a vida de todo mundo. Ninguém matou a Eliza".

A juíza Maria José Starling ouviu na tarde desta terça-feira sete testemunhas arroladas pela defesa, por meio de carta precatória emitida pela juíza do Tribunal do Júri de Contagem, Marixa Fabiane. Bruno e Macarrão falaram rapidamente com a imprensa, na saída da tumultuada audiência. Bruno disse também que não cedeu o material genético para o DNA do suposto filho, mas que vai ceder e, se for pai, vai assumir. "Onde come um, comem dois e comem três", afirmou ele.

Além do goleiro e de Macarrão, participaram da audiência o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola; Elenilson Vitor da Silva; Flávio Caetano de Araujo; Wemerson Marques de Souza, o Coxinha; Dayanne de Souza; a amante de Bruno Fernanda de Castro; e Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno. O advogado de Bruno, Ércio Quaresma, não compareceu à audiência porque passou mal. Os porteiros e funcionários do condomínio do goleiro, em Esmeraldas, confirmaram o vai e vem dos acusados no sítio entre os dias 6 e 10 de junho, menos de Fernanda e Bola, que disseram não ter visto.

A juíza dispensou duas das testemunhas convocadas - duas mulheres (uma por ter passado mal e outra por opção dos advogados de defesa). Por volta das 14h30, ocorria o terceiro depoimento da audiência - de um porteiro do sítio de Bruno, em Esmeraldas. Os dois primeiros depoimentos do dia também foram de porteiros da propriedade. As três testemunhas confirmaram o grande movimento dos suspeitos de envolvimento no crime no sítio entre os dias 6 e 10 de junho.

Durante a sessão, Fernanda Gomes de Castro segura um terço e lê uma prece de santinho.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.