Manifestação do Greenpeace provoca resposta de Dilma

 

Uma manifestação do grupo ambientalista Greenpeace durante evento com a presidenciável Dilma Rousseff (PT), nesta quarta-feira (20), em Brasília, provocou uma resposta da candidata aos manifestantes e reações dos apoiadores petistas.

Na metade do discurso da petista, os manifestantes abriram faixas cobrando de Dilma compromisso com o desmatamento zero. A candidata havia acabado de discursar ressaltando a posição do governo brasileiro de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80%.

"Eu não faço leilão em busca de apoio. Eu faço proposta que sei que são viáveis. Cada um de nós aqui quer o desmatamento zero. Entre querer e fazer, há todo um processo. Hoje o que assumimos é a redução do desmatamento em 80%", respondeu a candidata.

A manifestação do Greenpeace levou os apoiadores de Dilma, que lotavam o salão de um hotel em Brasília a gritar: "fora tucanos!".

Após a manifestação, a candidata voltou ao assunto fazendo críticas ao movimento: "a minha candidatura e do (vice Michel) Temer se pauta pelos princípios da ética, da transparência. Não quero ganhar nada que eu não possa olhar para os olhos de vocês e dizer: 'eu prometi, eu cumpro'".

Em material distribuído à imprensa, Sergio Leitão, diretor do Greenpeace, considera "incompletos" os compromissos divulgados pela candidata. "Não queremos um presidente que seja ambientalista desde criancinha, mas que assuma o compromisso e diga com clareza como vai pôr um fim no desmatamento e dar ao País uma matriz energética 100% renovável", disse o diretor, no texto.

Tolerância zero

 
No discurso, Dilma prometeu "tolerância zero" com o desmatador. "Isso significa o nosso compromisso com o plano de desenvolvimento da Amazônia sustentável porque a pré-condição é a redução do desmatamento. Sem isso, não há sustentabilidade alguma".

Ao divulgar 13 compromissos com o meio ambiente em folhetos distribuídos no evento, o detalhamento das propostas traz a promessa da candidata de "vetar iniciativas que impliquem em anistia aos desmatadores ou redução das áreas de reserva legal e preservação permanente", ao se referir às discussões sobre o Código Florestal.