Policia vai apurar morte de jovem que furtou ônibus em Goiás

A Polícia Civil e a Polícia Militar (PM) de Goiás instauraram inquéritos para apurar a atuação dos três PMs responsáveis pela morte do motorista desempregado Thiago dos Santos Viana na tarde da última segunda-feira em Goiânia. O jovem de 24 anos, usuário de crack, furtou um ônibus de transporte coletivo na cidade e só parou de trafegar com o veículo após ser morto pelos policiais.

Segundo a PM, Thiago invadiu o veículo vazio, que estava estacionado em um terminal, e seguiu em alta velocidade para Trindade, município vizinho a Goiânia. Logo depois, voltou pela contramão na rodovia GO-060, onde começou a ser perseguido por viaturas da PM, que havia sido alertada pela gerência de tráfego da empresa proprietária do veículo furtado.

"O crime é tipicamente militar, pois aconteceu com homens fardados, servindo à PM e com armas da corporação. O inquérito está instaurado para apurar a situação na Corregedoria da PM", afirma o assessor de comunicação da Polícia Militar, tenente-coronel Divino Alves. Segundo Alves, o suspeito furou muitos sinais, bateu em cinco veículos durante a fuga de 30 km e deixou feridos. A perseguição da polícia durou cerca de uma hora e meia até a Marginal Botafogo, no perímetro urbano de Goiânia, quando o motorista foi parado a tiros pela PM e morreu.

"Ele estava com uma arma potencialmente muito mais perigosa do que uma pistola, que era um ônibus a 130km/h trafegando pela contramão numa rodovia. A PM fez tudo que podia. Bloqueamos a estrada, atiramos nos pneus e mesmo assim ele continuou rodando. A última alternativa foi atirar contra ele. Não podíamos esperar ele passar por cima das pessoas", disse o tenente-coronel Divino Ales.

Família buscou ajuda

A Polícia Técnica Científica verificou 16 tiros no ônibus e seis tiros no corpo do suspeito. "Os tiros acertaram o braço, o tórax e até mesmo os órgãos genitais", afirmou o delegado titular da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), Jorge Moreira. O corpo do jovem foi identificado por uma tia, que preferiu não falar com a imprensa. Ela disse para a polícia que esse foi o terceiro ônibus que Thiago furtou só em outubro.

De acordo com o tenente-coronel Alves, no início da tarde do último domingo a mãe do jovem acionou a emergência da polícia pelo número 190 e afirmou que o filho estava transtornado pelo uso de drogas e por problemas mentais, e que ele contou a ela que iria roubar um ônibus e se suicidar. Segundo a família, Thiago tinha transtorno bipolar confirmado desde criança e, há aproximadamente dois meses, os familiares ficaram sabendo que o jovem era viciado em crack.