Caso Mércia: audiência segue quarta-feira após dispensa de quatro testemunhas

A audiência de instrução do caso Mércia Nakashima foi suspensa às 19h05 desta terça-feira, após quatro testemunhas de defesa serem dispensadas. Os trabalhos recomeçarão a partir das 13h de quarta-feira no Fórum de Guarulhos, onde serão ouvidos um perito, duas pessoas e os acusados pela morte da advogada: o policial aposentado Mizael Bispo de Souza e o vigia Evandro Bezerra da Silva.

Após o depoimento do delegado Antonio Olim, começou a depor, às 17h30, o advogado Carlos Floriano Filho, que conhece o policial aposentado Mizael Bispo de Souza há mais de 20 anos. "Não sabia de atrito e pelo que conheço de Mizael ele sempre foi gentil e atencioso com ela (Mércia)", afirmou. Ele disse ainda que não tinha conhecimento da separação do casal porque os encontrava em audiências no fórum da Barra Funda, em São Paulo e no fórum de Guarulhos.

O colega de faculdade de Mizael Matheus Ferreira Loureiro depôs às 18h10. Ele negou que Mizael tenha ameaçado atirar em um professor de Direito do Trabalho por causa de uma prova em que a turma havia obtido notas baixas. Cláudia Nakashima, irmã de Mércia, havia afirmado na segunda-feira que Mizael ameaçou matar um professor por conta de uma prova.

Às 18h19 entrou o advogado Carlos Rogério Manteiga, que também estudou com Mizael na faculdade. Ele negou a versão da ameaça ao professor. "Não fique sabendo. Ele (o professor) até participava de reuniões comigo, Mizael e amigos fora da aula". Manteiga disse ainda desconhecer que Mizael tenha matado Mércia. Ele foi ao velório da advogada e se colocou a disposição da família como forma de "solidariedade".

Depois, Gentil José de Oliveira testemunhou a favor do vigia Evandro Bezzerra Silva, acusado pela morte de Mércia. Ele trabalha no mesmo posto do vigia há um ano e, em 23 de maio, dia do crime, afirmou que Evandro foi ao posto por volta das 19h30, partiu em seguida e disse ainda que não conhece Mizael. "No meu horário ele (Mizael) não frequentou o posto", disse ele, que teria trabalhado das 7h às 22h naquele dia. Oliveira disse também que as câmeras de vigilância abrangem praticamente todo o estabelecimento, inclusive a área dos lava-rápidos, local onde a polícia acredita que Mizael tenha se encontrado com Evandro para conversar.

Às 18h44 depôs Alfeu Cardoso dos Santos. Em dois minutos, ele disse que não conhece Mizael e se encontrou com Evandro no posto às 22h.

Logo depois, às 18h46, o feirante Luiz Araújo Sobrinho disse não se lembrar de ver Mizael em uma feira na rua Monte Alegre no dia do crime, onde, de acordo com as investigações, teria ido pela manhã para conversar com Evandro, que fazia a segurança do local.

Olim discute com advogado

O advogado de Mizael Bispo de Souza, Samir Haddad Júnior, e o delegado Antonio Olim, que presidiu o inquérito policial, debateram durante o depoimento de Olim no fórum de Guarulhos nesta terça-feira. O juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano teve que interromper mais de uma vez a audiência para manter a ordem.

Em seguida, Olim e o advogado Ivon Ribeiro trocaram mais provocações. O advogado questionou porque informações contidas no rastreador do carro não estavam presentes no laudo desenvolvido pelo delegado. Segundo Ribeiro, algumas ruas em que Mizael passou não constavam no documento. Também disse que o tempo do trajeto de retorno da represa à casa de Mizael é maior do que os 30 minutos colocados.

O caso

A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio e foi encontrada morta no dia 11 de junho em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. Ela teria sido assassinada pelo ex-namorado e policial aposentado, Mizael Bispo de Souza, que não aceitaria o fim do relacionamento. Rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocariam os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Mizael e o vigia Evandro Bezzerra Silva são considerados pela Polícia Civil os principais suspeitos do crime. Eles negam as acusações.