Justiça decreta prisão de policiais civis que balearam juiz trabalhista durante blitz no Rio

Os policiais civis Bruno Rocha Andrade e Bruno Souza da Cruz se apresentaram esta noite ao juiz Fábio Uchoa, no 4º Tribunal do Júri da capital. Eles tiveram a prisão temporária decretada hoje (8) à tarde pelo magistrado.

Os policiais participaram de uma blitz com mais quatro colegas no último sábado (2), em Jacarepaguá, zona oeste da cidade, quando atiraram contra o carro do juiz trabalhista Marcelo Alexandrino da Costa Santos, que ficou ferido, junto com o filho Diego Lopes, de 11 anos, e sua enteada, Nathália Lucas Cucker, de 8 anos. Os três foram atingidos por tiros de fuzil disparados pelos policiais e permanecem internados se recuperando dos ferimentos.

O juiz ao passar pela Estrada do Pau Ferro se assustou com vários homens de preto, fortemente armados, e tentou dar marcha-ré no carro, pensando que se tratava de uma falsa blitz.

No hospital, o juiz Marcelo da Costa Santos, escreveu uma carta na qual afirma que “nada há de mais aterrador do que a imagem de um agente público, que de nós deveria cuidar, disparando arma de fogo, com a intenção de matar, contra um casal e suas crianças inocentes, apenas para satisfazer seu desejo de exibir um poder que, fora dos limites legais, simplesmente não existe”.

Ao decretar a prisão temporária por 30 dias, o juiz Fábio Uchôa, disse que a medida pode ser prorrogada por mais um mês. O magistrado considerou que “os suspeitos demonstraram a intenção de prejudicar as investigações ao inventarem uma fantasiosa e falsa alegação de que teria ocorrido uma suposta troca de tiros com marginais”. Ele lembrou também que as vítimas estão amedrontadas e encontram-se reclusas nos hospitais onde estão internadas.